Política Monetária

Copom mantém Selic em 6,5% em possível última reunião de Ilan Goldfajn

A decisão segue o que esperava a maior parte do mercado financeiro, que já começa a avaliar a possibilidade de um novo ciclo de corte de juros

SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu nesta quarta-feira (6) manter pela sétima vez seguida a Selic em 6,50% ao ano, deixando a taxa em seu menor patamar na história.

A decisão segue o que esperava a maior parte do mercado financeiro, que já começa a avaliar a possibilidade de um novo ciclo de corte de juros começando este ano.

No comunicado, o BC ressaltou que o cenário externo permanece desafiador, mas “com alguma redução e alteração do perfil de riscos”. Para a autoridade, diminuíram os riscos de curto prazo associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas, mas aumentaram os riscos associados a uma desaceleração da economia global.

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Esta foi a primeira reunião ocorrida desde que Jair Bolsonaro tomou posse como presidente, e também deve ter sido a última de Ilan Goldfajn no comando do Banco Central.

Apesar de ainda não haver uma data definida, é esperado que nas próximas semanas o Senado faça a sabatina para aprovar o nome de Roberto Campos Neto para presidir a autoridade monetária.

A recuperação gradual da economia e as expectativas sobre as chances de aprovação da reforma da Previdência são os principais fatores guiando as projeções de analistas e investidores. O otimismo de que o governo conseguirá levar adiante sua proposta no Congresso começa a levantar as chances de que o BC poderá voltar a cortar os juros.

A gestora Legacy Capital está entre as que esperam que o Copom reduza a Selic. “Nossa visão é de que o Banco Central iniciará um ciclo adicional de cortes nos juros de 100 pontos-base, uma vez que esteja suficientemente clara a perspectiva de aprovação da reforma”, disse em carta enviada a clientes.

“Acreditamos que esta caracterização possa acontecer nas reuniões do Copom de março ou de maio, a depender do ritmo de tramitação da PEC e do comportamento da inflação e da atividade econômica”, afirma a gestora.

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Confira o comunicado na íntegra:

O Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 6,50% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

Indicadores recentes da atividade econômica continuam evidenciando recuperação gradual da economia brasileira;

O cenário externo permanece desafiador, mas com alguma redução e alteração do perfil de riscos. Por um lado, diminuíram os riscos de curto prazo associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas. Por outro lado, aumentaram os riscos associados a uma desaceleração da economia global, em função de diversas incertezas, como as disputas comerciais e o Brexit;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente se encontram em níveis apropriados ou confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2019, 2020 e 2021 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,9%, 4,0% e 3,75%, respectivamente; e

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,9% para 2019 e 3,8% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 6,5% a.a. e se eleva a 8,00% a.a. em 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$/US$ 3,70 e 2020 em R$/US$ 3,75. No cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 3,70*, as projeções situam-se em torno de 3,9% para 2019 e 4,0% para 2020.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções, mas com maior peso nos dois últimos riscos, portanto, com assimetria. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Esse risco se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes. O Comitê avalia que, desde o último Copom, especialmente quanto ao cenário externo, houve arrefecimento dos riscos inflacionários.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela manutenção da taxa básica de juros em 6,50% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2019 e, com peso menor e gradualmente crescente, de 2020.
O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

O Copom avalia que cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis, têm sido úteis na perseguição de seu objetivo precípuo de manter a trajetória da inflação em direção às metas.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de Carvalho, Carolina de Assis Barros, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do Copom.