Copom mantém ritmo e reduz Selic para 18,5% ao ano, em linha com as expectativas

Decisão já era esperada pelo mercado, apesar da percepção de que havia condições técnicas para uma queda mais robusta

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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou há pouco a terceira redução consecutiva na taxa básica de juro brasileira, sendo a segunda em meio ponto percentual, para 18,5% ao ano.

A decisão da entidade já era amplamente esperada pelo mercado, o qual, apesar de acreditar que existiriam condições técnicas para uma redução mais ampla, concorda que esta poderia ser vista com certa desconfiança em um momento de instabilidade política como o atual.

Decisão não surpreendeu

De acordo o relatório Focus do Banco Central, a mediana das projeções do mercado já indicava a queda de 50 pontos base da Selic na última segunda-feira. Já para o próximo mês, a expectativa do documento é de nova queda de meio ponto percentual.

Entre os analistas, a magnitude da redução também era esperada. Global Invest, Merrill Lynch e Fator, entre outros, apostaram na queda de 50 pontos base durante a semana, embora o Banco Espírito tenha colocado a possibilidade de uma queda de 0,75 ponto percentual.

Por que 50 pontos base?

Os analistas da Merrill Lynch consideram que, mesmo que os recentes dados divulgados sugiram uma desaceleração econômica na margem, o colegiado do Banco Central esperará por novos indicadores para então concluir que estava errado em projetar uma recuperação da atividade no quarto trimestre, o que impede um corte mais robusto da taxa já em novembro.

Além disso, ainda que possa ser atribuído a fatores pontuais, o resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), em outubro, ficou bem acima das expectativas do mercado, segundo a Fator, o que também corrobora com a hipótese do meio ponto percentual.

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Por fim, os analistas acrescentam que as divergências na cúpula do governo, associadas à frágil situação atual do ministro Antonio Palocci, criam um ambiente no qual uma ousadia adicional do BC poderia ser mal interpretada pelo mercado, sendo encarada como uma ruptura da política econômica vigente.