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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) manteve o ritmo de afrouxamento monetário e cortou a taxa Selic em 0,50 ponto percentual na noite desta quarta-feira (18), para 13,75% ao ano.
A decisão já era esperada pelo mercado e por analistas, conforme evidenciado na cotação de fechamento das taxas dos contratos de DI Futuro com vencimento em novembro e na mediana das projeções do relatório Focus de segunda-feira.
Desde que o Copom iniciou o atual ciclo de reduções do juro básico, em setembro de 2005, houve dez diminuições consecutivas da Selic, totalizando 6,0 pontos percentuais.
Outra possibilidade seria 0,25
Conforme sinalizado pelo próprio colegiado do Banco Central, uma outra possibilidade seria a redução do juro básico da economia brasileira em 25 pontos-base, para 14,00% ao ano. Isso porque, na ata de sua última reunião, o comitê salientou que suas próximas decisões seriam conduzidas com maior parcimônia.
Entretanto, uma melhora do balanço de riscos para a inflação desde então parece ter aberto espaço para uma nova redução de 0,50 ponto percentual.
Inflação corrente é benigna
Corroborando tal percepção, o IPCA – índice de preços referência para o sistema de metas de inflação – apurou alta de apenas 0,21% em setembro e 0,05% em agosto, ficando aquém das expectativas do mercado e do próprio Banco Central para o bimestre.
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Muito embora a inflação corrente exerça, neste momento, pouca influência sobre as decisões do Copom, dado que qualquer medida de política monetária impactará apenas sobre 2007, o comportamento benigno do nível de preços em setembro e agosto ameniza as preocupações com a inércia inflacionária para o próximo ano.
Recuo das expectativas de inflação
Diante deste cenário, um recuo das expectativas de inflação também contribuiu para nova diminuição da Selic. A mediana das projeções do relatório Focus para a inflação oficial de 2006 passou de 3,7%, na véspera da reunião de agosto do Copom, para 3%, segundo a última edição do boletim. Para 2007, as estimativas passaram de 4,5% para 4,2%.
Do cenário externo, também vieram notícias favoráveis. O barril do petróleo recuou cerca de 25% nos últimos dois meses e, caso dê prosseguimento à trajetória, abre espaço para um eventual reajuste para baixo da gasolina no ano seguinte.
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Corte maior era pouco provável
Restaria, portanto, a análise da possibilidade de um corte ainda mais robusto vis-à-vis à redução de 0,50 ponto percentual. Contudo, dadas as sinalizações recentes da autoridade monetária, esta era pouco factível.
Além da necessidade de maior parcimônia nas próximas decisões, o Copom vinha sistematicamente lembrando dos estímulos já concedidos à expansão da demanda agregada.
Em complemento, deve-se ter em mente ainda a maior proximidade do atual nível da Selic com o juro básico de equilíbrio e as incertezas que cercam a defasagem dos mecanismos de transmissão da política monetária.