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SÃO PAULO – Pela primeira vez em vários meses, o mercado se mostrou bastante dividido com relação à decisão do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, sobre a taxa básica de juro do país. A maior parte dos economistas acreditava que o órgão monetário fosse elevar a taxa Selic em 50 pontos base, mas alguns apostavam em elevação menor, de 25 pontos base. Uma parcela bem reduzida acreditava inclusive em manutenção da taxa de juro.
Nessa noite de quarta-feira, dia 16 de março, o Copom anunciou a sétima elevação seguida da Selic. O juro passou de 18,75% ao ano para 19,25% ao ano, alta de 50 pontos base. A trajetória da inflação recente não deu sinais de melhora suficiente para que fosse encerrado o ciclo do aperto monetário. As atenções do mercado serão voltadas agora para as expectativas de juro durante os próximos meses.
Inflação continua como preocupação
Desde a publicação da ata da última reunião do Copom, no dia 24 de fevereiro, alguns fundamentos sobre a trajetória da inflação mostraram agravamento. O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) apontou inflação em fevereiro de 0,74%, acima da variação dos preços de janeiro (+0,68%) e da expectativa média do mercado (+0,68%). Desse modo, as preocupações com a rigidez inflacionária foram consideradas na decisão da política monetária dessa noite.
O consenso sobre a inflação medida pelo IPCA em 2005 permaneceu relativamente estável, com a pesquisa de mercado do Banco Central, o Focus, sinalizando 5,72% em 4 de março, contra 5,74% no dia 11 de fevereiro. Vale mencionar ainda o novo reajuste da tarifa de ônibus em São Paulo, promovendo um aumento da inflação medida pelo IPCA em março, embora já esperado durante o ano.
Produção industrial desacelerou menos que o esperado
Uma questão importante na decisão do aumento do juro é a de seu impacto no desaquecimento da economia. Nesse sentido, foi importante o anúncio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de que a produção industrial de janeiro apresentou queda de 0,5% na comparação com dezembro do ano passado, livre de influências sazonais, abaixo da variação do consenso do mercado (-1,0%).
Estes foram dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física. O dólar, vale citar, registrou valorização desde o anúncio da última ata do Copom, quando estava cotado a R$ 2,60.
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Influência externa: petróleo e EUA
O preço do petróleo, um importante insumo mundial, continuou registrando alta nos principais mercados. Seu impacto nos índices de preço não pôde ser desconsiderado pelo Copom nessa reunião. Em Nova York, a commodity passou de US$ 48 o barril na data da última ata para US$ 56,45 o barril no fechamento desta quarta-feira, novo recorde histórico.
Nos Estados Unidos, os investidores especulam que o Fed, banco central, irá elevar os juros da maior economia do mundo, perspectiva essa que tem pressionado a demanda pelos Treasuries. Juros elevados nos EUA atraem capital e devem estimular a saída de recursos de países emergentes, como o Brasil.