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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou, nesta quarta-feira, a nona elevação consecutiva da taxa Selic, a qual passou de 19,50% para 19,75% ao ano.
O mercado estava dividido em suas perspectivas para a decisão do colegiado do Banco Central: parte acreditava na manutenção da taxa em 19,50% enquanto outra parcela apostava em uma nova elevação de 0,25 ponto percentual na Selic. As divergências pareciam se justificar, uma vez que a própria autoridade monetária, na ata de sua última reunião, deixara em aberto a possibilidade de um novo aumento ou de uma manutenção da Selic.
Apostas na elevação
A parte do mercado que acreditava em uma nova elevação da taxa básica de juros se baseava no fato de que a inflação corrente, pelas mais variadas medidas, continua acima de 7% ao ano, mesmo com a recente valorização do real frente ao dólar e os sinais de arrefecimento da atividade econômica.
Em linha com esta perspectiva, a mediana das projeções do relatório Focus para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) anual voltou a subir nesta semana, passando para 6,39%, ficando próxima ao teto da meta de 7,00%. Como os bancos centrais tendem a reagir a choques de expectativas de inflação, uma nova elevação parecia se justificar.
Perspectiva de bom crescimento em 2005
Ainda argumentando a favor da elevação, o Banco Central tem se mostrado convicto de que o crescimento econômico será substancial este ano e acredita que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro crescerá 4% em 2005, mesmo com a manutenção do aperto monetário.
É interessante observar que as exportações brasileiras têm sustentado o bom nível da demanda agregada, mesmo com o baixo patamar do dólar, tendo um impacto positivo sobre o crescimento do PIB, diferentemente do que se esperava no início do ano.
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Por fim, novas modalidades de créditos (para aposentados e consignados) continuam a impulsionar a expansão dos empréstimos, tendo um impacto positivo sobre o nível da atividade econômica.
Apostas na manutenção
Já a parcela que esperava a manutenção da Selic em 19,50% ao ano apoiava-se na perspectiva de que o já elevado patamar do juro básico brasileiro e a indicação de que este será mantido por um período significativo seriam suficientes para garantir o retorno da inflação para a trajetória das metas.
Corroborou com essa expectativa a divulgação da primeira prévia do mês de maio do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), a qual mostrou deflação de 0,03%, e do IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10), referente ao mês de maio, que apontou estabilidade dos preços no período.
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Queda no preço do petróleo
Ainda em uma justificativa da manutenção da Selic, pôde-se notar, entre o período da divulgação da ata da última reunião do Copom e a nova reunião do comitê, uma queda nos preços internacionais do petróleo e das commodities em geral. Em seus comentários de sua reunião anterior, o colegiado do Banco Central mostrara certa apreensão em relação à trajetória de tais preços, os quais vinham em alta até aquele momento.
Além disso, os atuais choques sobre a inflação parecem ser “choques de oferta”, com elevação dos preços administrados e problemas com a produção de alimentos. Por fim, a recente trajetória descendente do dólar garante um ambiente favorável para a inflação no médio prazo.