Copom: IPCA neutro em junho pode mudar decisão sobre taxa básica de juro?

Analistas acreditam que dado de junho é evento isolado e inflação ainda preocupa; Selic deve ser elevada novamente em 0,75 p.p.

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SÃO PAULO – Depois de quatro anos, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), principal medida da inflação doméstica, registrou seu menor nível em junho deste ano, com variação nula frente a maio. Se o Copom (Comitê de Política Monetária) toma sua decisão sobre a taxa básica de juro com base nas expectativas inflacionárias, o último dado pode influenciar na próxima decisão, programada para o dia 21 de julho?

“Mantenho ceticismo com relação a uma melhora na inflação, uma vez que a atividade econômica continua forte e o mercado de trabalho e de crédito continuam a melhorar, mostrando sinais de aperto”. A opinião é de Marcelo Kfoury, analista do Citigroup, que acredita ainda que, nos próximos meses, a inflação deve ser pressionada para cima.

Alberto Furuguem, do Banco Cruzeiro do Sul, concorda e diz que “a queda dos preços dos alimentos em junho parece ter sido um fato isolado e não uma tendência”, referindo-se ao principal componente para a variação nula do índice, uma vez que apresentou deflação de 0,9%. “No momento, temos mais razões para temer pela alta da inflação”, conclui.

E o Copom?
Também para Furuguem, uma vez que a inflação projetada continua significativamente acima da meta, a tendência é que haja mais uma elevação em 0,75 ponto percentual na Selic na próxima reunião.

“O comportamento favorável da inflação, em junho, tenderá a ser visto pelo Copom mais como uma oportunidade para fazer a inflação convergir mais rapidamente para o centro da meta e não como abertura de espaço para interrupção do processo de elevação da taxa de juro, iniciada na reunião do final de abril”, resume Furuguem.