Copom interrompe ciclo de cortes na Selic e mantém a taxa em 11,25% ao ano

Depois de 18 cortes consecutivos, balanço de riscos de médio prazo leva comitê a pausar série de flexibilização monetária

Por  Juliana Pall Farias -

SÃO PAULO – Interrompendo o ritmo de cortes no juro básico brasileiro iniciado em setembro de 2005, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu, por unanimidade, pela manutenção da taxa Selic no patamar de 11,25% ao ano na noite desta quarta-feira (17).

A decisão da autoridade monetária põe fim à trajetória de 18 cortes consecutivos do juro, levando a taxa de 19,75% ao ano a seu atual patamar.

Com as apostas bastante divididas entre a manutenção da Selic ou um corte de 25 pontos-base, parte do mercado acreditava que, a despeito da deterioração do cenário externo e das recentes pressões inflacionárias, o Copom ainda vislumbraria espaço para uma maior flexibilização monetária.

Inflação em foco

Apesar de algumas variáveis determinantes no cenário inflacionário terem apresentado favorável evolução desde o último encontro do comitê, ocorrido em 5 de setembro, o balanço de riscos que se apresenta no médio prazo é visto, pela parcela do mercado que apostava na manutenção da taxa em 11,25% ao ano, como o principal fator que levou o Copom a esta decisão.

As pressões inflacionárias vistas nos últimos meses, somadas às incertezas perante a trajetória de preços no médio prazo, a recente volatilidade no câmbio sugerindo uma menor dependência da contribuição deste fator no controle da inflação, as elevadas taxas de investimento, o aquecimento da demanda e o elevado nível da atividade industrial são tidos como os fatores que respaldaram a manutenção da Selic.

A Tendências Consultoria ainda lembra que a autoridade monetária brasileira sinalizou na ata de seu último encontro a proximidade da interrupção no ciclo de cortes da Selic. Adicionalmente, o Relatório de Inflação do terceiro trimestre trouxe um tom mais cauteloso no que se refere às eventuais pressões de demanda.

Recente melhora de cenário justificaria corte adicional

Apesar desta percepção, os que apostavam que o Copom manteria o ritmo de cortes apresentado em sua última reunião e realizaria mais uma redução de 25 pontos-base na Selic apontam a recente melhora do cenário inflacionário como argumento para tal postura.

Além de a alta nos preços acompanhados pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – medida oficial da inflação doméstica – ter ficado abaixo das projeções em setembro, sinalizando um arrefecimento das pressões até então vistas, o câmbio, fator que contribui para o controle dos preços, retomou sua trajetória declinante.

Adicionalmente, as expectativas de inflação continuam bem ancoradas, projetando uma alta nos preços abaixo do centro da meta em 2007.

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