Política Monetária

Copom escolhe objetivo e deve elevar Selic hoje em 0,5 ponto, a 13,75% ao ano

Inflação resiliente, câmbio depreciado e comunicação agressiva do BC fazem economistas aperto de 0,5 p.p. nesta reunião, mas fim do ciclo permanece questão controversa

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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) divulga nesta quarta-feira (3) a sua decisão para a taxa básica de juros brasileira. E o consenso do mercado espera que o comitê decidirá por elevar a Selic em 0,5 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Se confirmado, será o sexto aumento do Banco Central neste ciclo de alta que começou em outubro do ano passado. 

Diante de uma inflação alta, com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) atualmente em 8,17% no acumulado de 12 meses, contra uma meta de 4,5% ao ano com banda de dois pontos percentuais para mais e para menos, é fácil entender o motivo para um novo aumento dos juros. Com o câmbio fortemente depreciado, operando em volta de R$ 3,15, também ganham força os argumentos a favor de um avanço no aperto monetário já que os preços aumentam. 

Para o Goldman Sachs, a elevação de 0,5 p.p. nos juros seria consistente com o cenário “desafiador” de trazer o IPCA de volta à meta. A equipe de análise do banco explica que o BC está comprometido em limitar os efeitos do reajuste de preços administrados como os de tarifas de energia e transportes e de combustíveis, que estão pressionando a inflação. 

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Segundo relatório da Nomura, assinado pelos analistas João Pedro Ribeiro e Benito Berber, o BC terá uma decisão difícil na decisão de quarta entre fazer uma elevação de 0,25 p.p. ou 0,5 p.p., mas vê o aumento maior como mais provável. “Nós vemos fortes argumentos no lado macro para uma desaceleração no ritmo das elevações […] Contudo, por causa da resiliência das expectativas para a inflação em 2016, o real depreciado e as comunicações hawkish (agressivas) contínuas, nós mudamos nossas previsões para uma elevação de 50 pontos-base, ante 25 b.p. originalmente, apesar dos números fracos da atividade econômica”. 

Quem também mudou suas projeções para esta reunião do Copom foi o BTG Pactual, que também via como mais provável um aumento de 0,25 p.p. diante da estagnação econômica. No entanto, a repetição da retórica agressiva de luta contra a inflação durante os últimos 45 dias mostrou que o BC realmente não pretende suavizar o aperto monetário. A grande diferença do banco para outras instituições é que no relatório assinado por Eduardo Loyo e Claudio Ferraz, o BTG diz acreditar que este aumento será o último do ciclo atual do BC. 

Não é o que vê o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. Para ele, a taxa de juros termina 2015 em 14,5% ao ano a não ser que as expectativas para o IPCA voltem a convergir para o centro da meta no ano que vem ou no seguinte. 

“Este ano de 2015 se estabeleceu como um limbo onde temos que purgar certos movimentos antes de voltarmos a crescer, e não estou me referindo a questões fiscais propriamente. A grande variável e ajuste será o salário real, somente assim teremos sob controle simultaneamente, no curto prazo, a inflação e alguma melhora na produtividade”, explica Perfeito.