Copom eleva Selic pela quarta vez seguida, em linha com o esperado

Focando indicadores econômicos e cenário externo, comitê sobe Selic nessa quarta-feira de 17,25% para 17,75% ao ano

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SÃO PAULO – O Copom, Comitê de Política Monetária do Banco Central, adotou nessa quarta-feira, dia 15 de dezembro, a medida que já era amplamente esperada pelo mercado, e elevou o juro básico brasileiro em 50 pontos base. Assim, a Selic passou de 17,25% para 17,75% ao ano, maior patamar verificado em 2004. O colegiado observou os fundamentos macroeconômicos do Brasil e o cenário externo para poder tomar essa decisão.

Vale confrontar a decisão da última reunião do Copom do ano com as expectativas dos analistas no início de 2004, que esperavam por um corte do juro durante o período. Para se ter uma idéia, o relatório Focus do Banco Central do dia 05 de janeiro de 2004 mostrou que as projeções do mercado apontavam para uma Selic de 13,85% ao ano em dezembro, significantemente menor do que a taxa de 17,75% ao ano decidida nessa reunião.

Inflação doméstica em foco

Um dos motivos para o aperto monetário é a cautela com a aceleração da inflação, que preocupa o Banco Central com relação à sua política de estabilidade de preços. Nesse sentido, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) apurou uma alta nos preços de 0,69% em novembro, acima da variação positiva de 0,44% medida em outubro.

Vale citar ainda que o consenso de mercado para a inflação medida pelo IPCA para 2005 permanece estável em 5,78%, acima da meta e com baixa probabilidade de recuo significativo no curto prazo. A distância entre a inflação de preços industriais no atacado e no varejo também permanece elevada.

Cenário externo: juro dos EUA e petróleo

As decisões do Copom não são feitas exclusivamente baseadas no cenário interno, já que o comitê deve observar também os impactos do cenário externo na economia brasileira quando opta por mudar a Selic. Uma variável está relacionada à taxa basica de juro norte-americana, já que esta influencia a atratividade dos títulos daquele país em relação aos títulos brasileiros.

Com relação a isso, a economia dos Estados Unidos tem registrado bom desempenho e o banco central tem adotado uma política de aumento gradual dos juros. Na terça-feira, essa tendência foi novamente confirmada, com a taxa básica de juro norte-americana subindo de 2,00% para 2,25% ao ano.

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Outro impacto externo na política monetária brasileira diz respeito ao comportamento do preço internacional do petróleo. Nesse sentido, a commodity continua volátil e acima do valor adotado como hipótese nas previsões do Relatório de Inflação de setembro, que eram de US$ 35 o barril em Nova York. Analisar o petróleo é relevante porque este influencia a inflação e o crescimento da economia mundial.