Copom eleva projeções de inflação para 2002 e 2003

A maior inflação dos preços livres foi o maior determinante da maior projeção para o IPCA de 2003, índice usado na meta de inflação

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SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil divulgou nesta quarta-feira a Ata da reunião do Copom, realizada na semana passada, onde foi decidido aumentar a taxa Selic em um ponto percentual, para 22%. O Copom, apesar de não revelar números, anunciou que elevou suas projeções de inflação para 2002 e 2003, graças ao aumento das expectativas de inflação na economia.

A maior inflação dos preços livres foi o maior determinante da maior projeção para o IPCA de 2003, índice usado na meta de inflação, que aumentou mesmo com a redução na projeção do reajuste dos administrados, de 12,7% para 12,1%. Além disto, a sondagem industrial de outubro da FGV mostrou que 48% dos empresários estão dispostos a aumentar seus preços.

Projeções ainda estão abaixo das do mercado

O BC espera que não somente a meta de inflação de 4% fixada para 2003 será ultrapassada, mas também a meta ajustada de cerca de 6%, que inclui também o choque primário de administrados e a metade do impacto da inércia inflacionária herdada de 2002.

Porém, as previsões do Copom, segundo o próprio comunicado do colegiado, ainda encontram-se bastante abaixo da mediana das expectativas do mercado, que é de 9,96%. Deste modo, a projeção do Copom se encontra entre 6% e 9,96%.

O Copom acredita que a forte alta do dólar nos últimos meses deverá continuar exercendo forte pressão sobre os preços. Junto a isso, o impacto dos aumentos dos preços monitorados, como combustíveis (gasolina, óleo diesel e gás de cozinha) e energia elétrica (no Rio de Janeiro), deverá contribuir para elevar novamente as taxas dos índices de preços ao consumidor em novembro. Porém, para dezembro as perspectivas são de recuo da inflação.

Inflação do IPCA e IGP-DI aumentou em outubro

A alta do dólar resultou numa significativa elevação das taxas de inflação em outubro. O IPCA subiu 1,31%, acumulando 6,98% no ano e 8,45% em doze meses. A expressiva variação do IPCA foi resultado da continuidade da elevação dos preços livres e do impacto da correção de alguns preços monitorados.

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Já em relação ao IGP-DI, a variação mensal passou de 2,64% em setembro para 4,21% em outubro, acumulando 16,3% no ano e 17,4% em doze meses. A alta do índice se deu graças aos efeitos da forte alta do dólar, da alta nas cotações internacionais de algumas commodities e da entressafra, que tiveram forte impacto sobre os preços agrícolas e industriais no atacado.