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SÃO PAULO – Teve início nesta terça-feira (18) a primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) sob a presidência de Alexandre Tombini, encerrando-se assim um ciclo de oito anos com Henrique Meirelles à frente da autoridade monetária. A mudança de comando, no entanto, deve trazer poucas surpresas, já que o desfecho do encontro já é amplamente antecipado pelos analistas do mercado.
De acordo com o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central com as estimativas dos analistas para uma série de dados econômicos, o encontro deverá resultar em alta de 50 pontos-base na Selic, que passará assim a 11,25% ao ano. O aumento dará início a um novo ciclo de aperto monetário após o Banco Central ter pausado as elevações em julho do ano passado e, se confirmado, levará a taxa ao maior patamar desde março de 2009, quando a autoridade baixou a Selic em 100 pontos-base, para 11,25% ao ano.
Na última reunião, a expectativa em torno de uma possível alta da taxa básica de juros já existia, com a inflação dando claros sinais que encerraria o ano mais próxima do teto do que do centro da meta de inflação estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). A autoridade, no entanto, julgou mais apropriado esperar para ver os efeitos das medidas macroprudenciais, como elevação do compulsório pelos bancos, e manteve a Selic em 10,75% ao ano naquela ocasião.
O Relatório Trimestral de Inflação, no entanto, trouxe para os analistas a certeza de que a alta viria em janeiro. A LCA, por exemplo, aponta que o documento gerou “expectativa consensual nos mercados de que a Selic sofreria uma elevação nesta primeira reunião de 2011”.
Inflação é tema chave em 2011
Justamente o aumento dos preços é o principal componente para a ampla expectativa em relação à reunião do Copom. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) encerrou 2010 em 5,91%, e não deverá apresentar desaceleração muito grande em 2011, de acordo com o Focus. Os agentes de mercado, segundo o documento, aguardam alta de 5,42% do índice de preços neste ano.
“Dificilmente a inflação convergirá para a meta central de 4,5% em 2011, a não ser que ocorra um ajuste monetário muito expressivo, que não consideramos em nosso cenário referencial”, escreveu Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora. Como culpado pela alta dos preços, analistas não divergem muito ao apontar as commodities, cujas cotações continuam em franca elevação.
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O Barclays, por exemplo, enxerga o movimento espraiando-se por toda a América Latina, já que em vários países a inflação encerrou o ano acima da meta, e culpa os preços dos alimentos por isso, derivados de preços de commodities em ascensão meteórica. A deterioração dos índices inflacionários, ao lado desse rali das matérias-primas, colabora para que a expectativa para a inflação também permaneça em alta, mesmo com a perspectiva iminente de aperto monetário.
Só alimentos não bastariam
A comida mais cara é de fato um componente importante da alta dos índices inflacionários, mas não o único, aponta a Ativa. Arthur Carvalho, economista-chefe da corretora, lembra que o IPCA de serviços terminou o ano com variação de 7,6%, a maior da década. “Além disso, ao excluirmos o subgrupo Alimentação no Domicílio, mais diretamente afetado pelos choques de oferta nos alimentos, o IPCA acumulou alta de 5,1%”, apontou Carvalho em relatório.
Assim, indica a Ativa, existem amplas evidências de que há mais do que um simples choque de alimentos por trás da aceleração inflacionária observada ao longo dos últimos meses. E a demanda continuará aquecida. A Prosper, por exemplo, prevê que a taxa de desemprego continuará a cair, passando para 6,1% em 2011, por causa do crescimento econômico mas também por menor demanda por trabalho.
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O tamanho do aperto
Assim, define o Safra, a autoridade monetária terá três tarefas relevantes pela frente: ancorar as expectativas para a inflação em 2011 e 2012, que estão acima do centro da meta, compatibilizar o ritmo de crescimento da absorção doméstica com a taxa de crescimento potencial do PIB (Produto Interno Bruto) e combater os efeitos secundários do choque de preço das commodities.
Para o Safra, a modelagem econométrica indicaria que, para cumprir esse papel, o BC deveria promover um arrocho de 325 pontos-base. No entanto, essa estimativa não leva em conta o efeito sobre a demanda das medidas macroprudenciais anunciadas em 3 de dezembro. Assim, o banco aposta que o ciclo total será de alta de 1,5 ponto percentual, o que ocorrerá gradualmente nas próximas três reuniões do Copom (janeiro, março e abril).
O risco, no entanto, é de ajuste maior, especialmente se o governo federal não reduzir o ritmo de crescimento dos gastos. Embora um aperto de mais de 150 pontos-base não seja ainda o principal cenário, não são poucas as instituições que acreditam que a intensidade total do ciclo será de 200 pontos-base ou mais.
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O Goldman Sachs, por sua vez, tem aposta ainda mais agressiva. O banco de investimentos trabalha com altas num total de 250 pontos-base, o que levaria a Selic a 13,25% ao ano. Admitindo que a expectativa está acima do consenso, o banco aponta esperar “que as estimativas aproximem-se da projeção de nossos analistas nas próximas semanas, pois já começaram a se movimentar para cima”.
Para a LCA, que revisou sua projeção de alta para a Selic para 150 pontos-base ao longo do ano, pouco adiantará olhar o comunicado que acompanha a decisão para identificar qual será a intensidade do aperto. “A decisão deverá ser unânime, e o comunicado de política monetária não deverá trazer muitos detalhes que possam contribuir para a calibragem das estimativas a respeito da intensidade total do ajuste monetário”, apontou a equipe de análise da consultoria.
Confira aqui as perspectivas dos analistas consultados pela InfoMoney:
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| Instituição | Previsão para próxima reunião |
Selic ao final de 2011 (a.a.) |
Estimativa para o IPCA em 2011 |
|---|---|---|---|
| Prosper Corretora | Elevação de 50 pontos-base | 12,25% | 5,12% |
| LCA | Elevação de 50 pontos-base | 12,25% | – |
| Goldman Sachs | Elevação de 50 pontos-base | 13,25% | – |
| Rosenberg&Associados | Elevação de 50 pontos-base | 11,25% | – |
| XP Investimentos | Elevação de 50 pontos-base | 11,75% | 4,7% |
| Ativa Corretora | Elevação de 50 pontos-base | 12,75% | 5,5% |
| Safra | Elevação de 50 pontos-base | 12,25% | – |
| UBS | Elevação de 50 pontos-base | 12,75% | 6% |
| Bank of America Merrill Lynch | Elevação de 50 pontos-base | 12,25% | – |
| Barclays | Elevação de 50 pontos-base | – | 6,3% |