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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) não deve surpreender o mercado após a reunião desta quarta-feira (28), devendo anunciar um aumento de 50 pontos-base na taxa básica de juros, a Selic, para 9% ao ano, segundo projeções de economistas compiladas pelo InfoMoney.
O consenso se baseia na percepção de que o balanço de risco para inflação permanece desfavorável, destaca a SulAmérica Investimentos. Associado a isso, está o movimento de incerteza dos mercados, que segue elevado, conforme destaca a LCA Consultores.
Enquanto isso, a equipe macroeconômica do Itaú Unibanco destacou que um amplo conjunto de dados de atividade mostraram que o crescimento continua concentrado em poucos setores, anunciando uma possível desaceleração para os próximos trimestres, limitando altas mais fortes.
Os efeitos do câmbio sobre a inflação são um dos fatores levados em conta para pela Rosenberg Consultores para acreditar em uma alta dos juros, levando em conta o resultado do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo -15) de agosto, que já reflete este movimento.
Outra preocupação é decorrente do provável ajuste de gasolina que deva ocorrer ainda este ano, embora não confirmado pelo governo, tornando menos provável uma inflação inferior a de 2012, destaca a equipe da consultoria.
“Apesar da desaceleração da atividade econômica, a inflação continua alta – principalmente para alimentos e serviços – e a recente desvalorização do real aumenta as chances de uma inflação mais alta no final do ano”, reforça o Bank of America Merrill Lynch, que também vê uma alta da taxa básica de juros de 50 pontos-base.
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Atenção ao comunicado e às próximas reuniões
Se a decisão em si desta data não parece criar muita expectativa nos mercados, o comunicado de política monetária é um elemento que será acompanhado de perto, destaca a LCA. Conforme destaca a consultoria, a decisão do comitê será unânime, perspectiva que predomina entre as instituições de mercado.
Segundo a LCA, dado o contexto de incertezas nas conjunturas internacional e doméstica, é provável que o Copom queira evitar novidades, apenas reiterando estar dando seguimento ao ajuste das condições monetárias. “No entanto, não se deve descartar a possibilidade de que o comunicado de política monetária faça alguma referência à intensificação recente da pressão cambial – cujos efeitos secundários sobre a inflação a autoridade monetária prometeu combater”, afirmam os economistas da consultoria.
Caso o Comitê venha adotar um tom mais “combativo” em relação aos efeitos secundários da desvalorização cambial, a curva de juros praticada no mercado futuro terá maior inclinação, avalia a LCA, reforçando as expectativas de que a Selic poderá ser elevada para 10% ao ano.
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Já a Rosenberg destaca que a leitura atenta do comunicado deve ser de grande valor para determinar se o Copom terá “a ousadia” de levar a Selic a ultrapassar os dois dígitos, em busca de uma inflação em 2014 mais baixa do que em 2013. A consultoria reforça que a Selic deve terminar em 9,75% ao ano e, se for além disso, não deve ser uma alta muito maior.
O Itaú Unibanco também acredita que a Selic deve subir para 9,75% ao ano, com nova alta de 50 pontos-base seguida por uma alta de 25 pontos-base na última reunião. Enquanto isso, o diretor da gestão de recursos da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello, prevê a alta da Selic para 9% nesta reunião, mas com uma alta de apenas 0,25 ponto percentual nos próximos encontros do Copom, devendo terminar 2013 e 2014 em 9,25%.