Copom: cenário inflacionário ainda contém riscos e Selic deve ser mantida

Arrefecidos preços de alimentos, reajustes de serviços são agora o principal temor; a longo prazo, rumo da taxa gera dissenso

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SÃO PAULO – A despeito do relativo arrefecimento das pressões inflacionárias neste começo de ano, como demonstrado por indicadores recentemente divulgados, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central deverá optar pela manutenção da taxa Selic em sua reunião, cuja decisão sai na noite desta quarta-feira (5).

Para o Santander, embora a percepção do mercado em relação à inflação tenha melhorado, os riscos não foram reduzidos. Isto porque, passada a pressão da alta dos alimentos, ocasionada por um choque de oferta, que se constitui como um fator relativamente localizado e temporário, o que causa preocupação agora é o reajuste de preços no setor de serviços.

Segundo os analistas, o aquecimento econômico representa grande risco de que os reajustes de preços, até então localizados, se generalizem. “De fato, recentes dados de emprego, crédito e renda apontam para uma continuidade da expansão da demanda interna a taxas robustas”, afirma a equipe da Tendências Consultorias.

Inflação global e câmbio

E não são só fatores domésticos que sustentam projeções cautelosas quanto ao cenário inflacionário brasileiro neste ano. O comportamento dos preços internacionais também se constitui como um fator de extrema influência e, nesse sentido, o impacto não deve ser positivo.

A Tendências completa: “a despeito da redução das expectativas para o crescimento mundial neste ano, por conta da probabilidade de uma recessão nos EUA, as cotações de commodities seguem em forte alta”, valorização esta propiciada principalmente pela expansão econômica dos mercados emergentes, liderados pela China.

No contraponto, está a trajetória de desvalorização do dólar em relação às principais moedas do mundo, inclusive frente à divisa brasileira. O câmbio mais forte por aqui ajuda a ancorar os preços de produtos industrializados, segundo a equipe do Santander. Entretanto, o efeito cambial, por seu caráter dúbio, deve ter trazer pouco alívio à escalada da inflação no âmbito global.

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Longo prazo gera dissenso

Se, por ora, uma manutenção do juro básico brasileiro se mostra praticamente consensual entre os analistas, as perspectivas a um maior prazo para o rumo da política monetária do país geram dissenso no mercado.

Na leitura da equipe da Tendências Consultoria, a taxa Selic deverá ser mantida até aproximadamente o mês de outubro, quando os cortes deverão ser retomados pelo Copom com base em uma trajetória mais benigna da inflação em 2009. A projeção dos analistas é de que a taxa encerre 2008 a 10,75% ao ano.

Visão oposta é adotada pelos analistas do Santander. Para o banco, “aquilo que hoje é considerado um risco para a inflação se manifestará como realidade nos próximos meses, o que tende a provocar uma reação da autoridade monetária na forma de aumento de juros para conter o forte ritmo de crescimento da demanda”.