Copom: aumento na Selic é consenso, mas magnitude gera controvérsias

Disparada de commodities deve sustentar aperto monetário; mas analistas dividem-se entre alta de 50 e 75 pontos-base no juro

Publicidade

SÃO PAULO – Desafiando projeções iniciais de analistas, bem como os anseios de muitos investidores que torcem pela volta da flexibilização monetária, as pressões inflacionárias no Brasil – e no mundo – seguem ganhando força, o que sustenta a visão consensual do mercado de elevação na taxa Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária) na próxima quarta-feira (4).

A piora no ambiente inflacionário desde a última reunião da autoridade em abril, quando foi então iniciado o aperto monetário no País, deve-se, na visão da LCA Consultores, à escalada dos preços de commodities, sendo estas agrícolas, metálicas e, principalmente, o petróleo. Na visão da Tendências Consultoria, tal cenário deve ensejar fortes pressões de custos.

Para a equipe, tal aumento de custos “é mais facilmente repassado aos preços ao consumidor final em momentos em que a demanda está aquecida, como atualmente”. Mas nesse contexto, certo alívio foi trazido pelo Governo nos últimos dias: a busca de um superávit primário adicional de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) para a criação do fundo soberano brasileiro, que não será utilizado, ao menos por ora, para a compra de moeda no mercado cambial.

Controvérsias quanto à magnitude

A continuidade de alta na taxa Selic é ponto pacífico no mercado. Ao contrário da magnitude de tal aumento, que gera forte dissenso. A Ativa reforça o time daqueles que apostam em uma elevação de 50 pontos-base nesta semana. “A perspectiva para a inflação no longo prazo não foi tão impactada, não havendo, portanto, justificativa para aceleração do passo”, principalmente para um banco central que sempre pautou pelo gradualismo, afirmam os analistas.

Ainda de acordo com a linha expressa pela corretora, os choques de preços exógenos parecem dar sinais de amenização, com exceção para o petróleo, e, com isso, a aceleração vista daqui em diante na inflação deve-se muito mais a efeitos secundários. A projeção de um acréscimo de 50 pontos-base na taxa básica de juro brasileira, que a levaria ao patamar de 12,25% ao ano, é compartilhada também pelos analistas do Unibanco.

Em contrapartida, a equipe da Tendências se mostra mais pessimista quanto à deterioração no ambiente inflacionário no País, o que embasa suas projeções de uma elevação mais expressiva, de 75 pontos-base. A LCA adota visão semelhante, embora acredite que a aceleração do ajuste na Selic no curto prazo vise uma abreviação do ajuste monetário, que seria então encerrado já na reunião de 23 de julho.

Continua depois da publicidade

Aperto monetário pode ser abreviado

“O principal fator que sugere tal possibilidade é o comportamento das expectativas do mercado para a elevação do IPCA no próximo ano. De acordo com informe do Banco Central, a projeção média para 2009 tem aumentado com mais velocidade do que a mediana. Essas constatações mais recentes parecem jogar nova luz, mais dramática, sobre o comunicado da última reunião do Copom”, afirma a LCA, que prevê uma taxa Selic a 13,75% ao ano no final de 2008.

Cabe lembrar que, em sua última ata, a autoridade brasileira de fato sinalizou para um movimento mais expressivo de aumento no juro básico no curto prazo, o que contribuiria para a diminuição tempestiva do risco que se apresentava – e se apresenta – ao cenário inflacionário e, conseqüentemente, reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado.