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O Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu há pouco aumentar em 0,5 ponto percentual a taxa Selic, para 15,75% ao ano. O Copom surpreendeu o mercado, que apostava na manutenção da taxa de juros em 15,25%. O aumento da Selic é uma resposta do Banco Central à combinação das incertezas do mercado externo com a forte desvalorização do real.
No que se refere ao cenário externo, a recente crise econômico-política da Argentina também influenciou a decisão do Copom. A Argentina está tentando reestruturar a economia do país que há dois anos e meio enfrenta uma estagnação econômica. A crise se intensificou e o presidente De la Rua teve de trocar duas vezes o ministro da economia em menos de um mês, sendo que o criador do sistema de paridade cambial, Domingo Cavallo, ocupa atualmente o cargo.
Neste sentido, o mercado de câmbio também reduziu a margem de manobras do Copom, já que o real sofreu uma forte desvalorização em função das incertezas externas, atingindo R$ 2,177, a maior cotação desde a introdução da moeda brasileira em 1994. O dólar comercial fechou nesta quarta-feira em alta de 1,87%, cotado a R$ 2,1220 na compra e R$ 2,1240 na venda. No mercado paralelo, a moeda norte-americana está sendo negociada a R$ 2,17, representando um ágio de 2,17% em relação ao dólar comercial.
Outro fator que levou o Copom a decidir pelo aumento na Selic, foi a indicação de aumento na inflação, com o IGP-M acumulando alta de 1,32% desde o início do ano até o 20 de março. Em sentido contrário, o Fed, na tentativa de evitar a recessão e minimizar os impactos do menor crescimento econômico dos EUA, anunciou ontem o terceiro corte do ano na taxa de juros do país, levando-a a 5,00% ao ano. Desta forma, os cortes nos juros promovidos pelo Fed em 2001 somam 1,5 ponto percentual.
A resolução do Copom em aumentar a Selic deverá influenciar fortemente o desempenho de amanhã do mercado acionário brasileiro, sobretudo em função da expectativa do mercado, que aguardava a manutenção da taxa.