Copom aumenta ritmo e eleva Selic em 75 pontos-base, para 13,00% ao ano

Decisão, unânime e sem viés, marca terceira alta consecutiva no juro básico e surpreende parcialmente as projeções

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SÃO PAULO – Aumentando o ritmo do ciclo de aperto monetário iniciado em sua penúltima reunião, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) optou na noite desta quarta-feira (23) por elevar em 0,75 ponto percentual a taxa Selic, levando-a ao patamar de 13,00% ao ano.

A decisão, tomada de forma unânime e sem viés, demonstra uma autoridade ainda mais temerosa quanto à deterioração do cenário inflacionário brasileiro, evidenciada pelos últimos indicadores de preço e pelas projeções pessimistas do mercado nos últimos relatórios Focus.

Em nota, o comitê disse que sua decisão levou em conta a avaliação do cenário macroeconômico, “com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas”.

Magnitude surpreende

A ata da última reunião do Copom, realizada nos dias 3 e 4 de junho e que contou com alta no juro básico em magnitude de 50 pontos-base, já dava claros sinais de uma nova elevação na taxa Selic, dada a persistência do descompasso entre oferta e demanda na economia brasileira somada à tendência global de pressão inflacionária.

Embora não houvesse quem não apostasse em uma continuidade do aperto monetário, a magnitude do aumento promovido pelo Copom nesta decisão vem na contramão da leitura majoritária dos analistas, que previam em sua maioria uma manutenção do ritmo, isto é, uma elevação de 50 pontos-base no juro básico brasileiro, ainda que uma alta mais expressiva não estivesse totalmente descartada.

“Apesar de entendermos que há um problema inflacionário sério que deve ser combatido (…), a autoridade optará por manter o ritmo de alta de 50 pontos-base. Dito isto, entendemos que há uma probabilidade não desprezível de uma maior elevação caso o Comitê vislumbre uma aceleração ainda maior do choque inflacionário global e da sua propagação para a economia doméstica”.

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A afirmação cabe aos analistas da Ativa Corretora, mas bem resume as projeções anteriormente traçadas pelo mercado para a decisão tomada pelo Copom nesta noite, compartilhadas, por exemplo, pelas equipes do Santander, Unibanco e Merrill Lynch. Já os analistas do Credit Suisse foram um dos poucos que acertaram na dimensão da elevação a ser promovida pelo colegiado.

O argumento do banco de investimentos suíço era de que a elevação das expectativas de inflação para os próximos 12 meses, assim como para 2009, aliada à alta na cotação do barril de petróleo desde junho levaria o Copom a optar por uma decisão mais enérgica nesta quarta-feira.