Copom: após recente recuo do petróleo, o que deverá acontecer com a Selic?

Mercado acredita em nova alta de 50 pontos base da Selic, após aceleração dos índices de preços e preocupação com meta de 2005

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SÃO PAULO – Após o Copom (Comitê de Política Monetária) ter surpreendido o mercado como um todo em outubro e elevado a taxa básica de juro da economia brasileira em 50 pontos base, para 16,75% ao ano, ampliam-se, agora, as apostas sobre qual deverá ser a decisão da autoridade monetária sobre a Selic em novembro.

A ansiedade do mercado com relação à decisão do Copom não é à toa, já que o recente recuo do preço do petróleo reduz os temores com relação a uma possível pressão inflacionária na economia brasileira. Além disso, tem-se a percepção de que realmente a cotação do petróleo deverá encontrar um novo patamar de equilíbrio, mais baixo que os níveis verificados em outubro.

Porém, em função da aceleração dos principais índices de preços do país, grande parte do mercado aposta em uma nova elevação da Selic em 50 pontos base, para 17,25% ao ano, conforme apontado pelo relatório Focus, do Banco Central. Para o final de 2004, o relatório do BC segue apostando em uma taxa básica de juro de 17,50% ao ano, o que significa que, se cumprida a expectativa em novembro, o Copom deverá elevar a Selic em 25 pontos base em dezembro.

Índices de preços voltam a registrar aceleração

De uma maneira geral, espera-se que a continuidade do aperto monetário ocorra em função da recente aceleração dos principais índices de preços do país. Neste sentido, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) apurou uma inflação de 0,44% em outubro, o que corresponde a uma elevação de 0,11 ponto percentual frente ao mês de setembro, quando o índice subiu 0,33%.

O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe registrou uma elevação de 0,65% na primeira quadrissemana de novembro, levemente acima da alta de 0,62% registrada pelo índice em outubro. Tanto no caso do IPCA quanto no do IPC, o responsável pelas maiores altas foi o item combustíveis, refletindo o aumento dos preços da gasolina e diesel anunciado pela Petrobras em meados de outubro.

No que se refere aos IGPs (Índices Gerais de Preços), da Fundação Getúlio Vargas, a tendência também foi de maior alta. Assim, o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) registrou uma inflação de 0,53% em outubro, 0,05 ponto percentual acima da inflação registrada em setembro, que foi de 0,48%. Já a primeira prévia de novembro do IGP-M apurou inflação de 0,33% no período, acima da registrada no mesmo período de outubro.

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Proximidade das festas de final de ano amplia cautela

Além da maior alta dos principais índices de preços, um dos argumentos que pode ser utilizado pelo Copom para o aumento de 50 pontos base da Selic refere-se à cautela com relação a um movimento de maior demanda em dezembro e janeiro, por conta das festividades de final de ano. Neste sentido, um forte crescimento da demanda no período do Natal pode levar a novas acelerações da inflação, especialmente a partir de janeiro.

Isto seria bastante desfavorável, especialmente se considerarmos o fato de que possíveis “transbordamentos” da inflação de 2004 para os primeiros meses de 2005 podem comprometer a meta de inflação daquele ano, que é de uma variação positiva de 4,5% para o IPCA no período. Assim, é bastante possível que o Copom volte a elevar o juro, como parte da tática do “é melhor prevenir do que remediar”, para impedir maiores pressões sobre a inflação de 2005.