Copom: analistas definem manutenção da Selic como cautelosa, porém coerente

Decisão da autoridade monetária foi interpretada como “pausa nos cortes”, e não “fim dos cortes” na taxa básica de juro

Por  Juliana Pall Farias -

SÃO PAULO – “Avaliando a conjuntura macroeconômica, o Copom decidiu, por unanimidade, fazer uma pausa no processo de flexibilização da política monetária e manter a taxa Selic em 11,25% ao ano, sem viés”, foi o que informou o comunicado que seguiu a divulgação da decisão do Copom.

O comunicado foi publicado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central na noite da última quarta-feira, 17 de outubro. A decisão pôs fim às dúvidas do mercado, cujas apostas se dividiam entre o fim do ciclo de cortes no juro básico iniciado em setembro de 2005 e um corte adicional de 25 pontos-base.

Dado que não havia consenso entre analistas, a decisão não surpreendeu. Porém, na opinião da Tendências Consultoria, mostra um Copom mais cauteloso com o cenário de inflação, conforme já indicava a ata da última reunião e o relatório de inflação do terceiro trimestre. O banco de investimentos UBS compartilha desta visão, e destaca a credibilidade da autoridade monetária no combate inflacionário.

O que a unanimidade da decisão diz aos analistas

O primeiro ponto a ser avaliado é a votação unânime do comitê. Para Inês Pereira, economista da Arkhe Corretora, “a unanimidade da votação foi muito importante para mostrar coesão entre os membros, num momento de alteração de sua política monetária”.

A Tendências Consultoria, por sua vez, enxerga que este fato reforça a aposta de que novos cortes só ocorrerão em um prazo de tempo mais amplo, quando a autoridade monetária entender que os riscos ao cenário de inflação tenham se dissipado.

Por mais que o ciclo de corte na Selic visto nas 18 reuniões anteriores do comitê tenha sido rompido, a interpretação geral é que a melhor definição para a decisão do Copom é “pausa nos cortes”, e não “fim dos cortes” na taxa. Porém, a retomada da flexibilização monetária gera discussão.

Próximos passos

A economista da Arkhe Corretora espera que o comitê volte a cortar a Selic em meados do primeiro semestre de 2008. A Tendências Consultoria também espera redução adicional no próximo ano, mas não estabelece um período.

Pelo relatório Focus desta semana, as projeções do mercado apostavam para o patamar de 10,25% ao ano no fim de 2008. Porém, estas estimativas tendem a ser revisadas, já que o relatório também mostrava a expectativa de um corte de 25 pontos-base na Selic no encontro da última quarta-feira.

O que levou o Copom a manter o juro básico em 11,25% ao ano

O UBS avalia que os dois principais fatores que pesaram na decisão do Copom foram as pressões inflacionárias e a demanda interna aquecida.

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A Tendências adiciona a este quadro a perspectiva de continuidade do aquecimento da demanda, a utilização da capacidade pressionada e as incertezas em relação à maturação dos investimentos.

A consultoria ainda destaca que, a despeito das pressões inflacionárias verificadas nos últimos meses, as perspectivas ainda apontam que a inflação deve permanecer dentro da meta estipulada para o médio prazo, mais um fator que deve contribuir para a retomada do ciclo de cortes na Selic.

Por ora, a percepção é de que o Copom deve observar a evolução dos preços e a materialização dos cortes já realizados no juro básico antes de retomar o processo de flexibilização monetária.

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