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SÃO PAULO – Os indicadores do nível de atividade continuam em linha com o cenário de recuperação da atividade econômica com o qual o Copom vem trabalhando nos últimos meses. Apesar do desempenho fraco do varejo e da indústria no mês de dezembro comparado com novembro, tais oscilações não devem ser precipitadamente interpretadas como sinal de esgotamento do processo de retomada, de acordo com o Copom.
Sendo assim, o colegiado continuou insistindo no que já havia dito na ata anterior, de que a queda de 10 pontos percentuais ocorrida ao longo do segundo semestre de 2003 ainda não teve tempo de manifestar seus efeitos integralmente na economia.
Retomada é gradual
Como o resultado de dezembro ficou aquém do esperado, o Copom preferiu focar nos dados semestrais. De acordo com o IBGE, a média móvel trimestral dessazonalizada da produção industrial acumulou, entre junho e dezembro, um crescimento de 5,1%.
Vale destacar que a produção de bens de consumo duráveis e de bens de capital registrou crescimento de 18,4% e 12,3% respectivamente, no mesmo período. Em contrapartida, o setor de bens de consumo semi e não duráveis, que depende mais fortemente da recuperação da renda real do trabalhador, registrou queda de 1,8% entre junho e dezembro.
Mesmo assim, o Copom reiterou que esta diferença de crescimento entre setores é um processo natural, já que os efeitos positivos nos outros setores irão ser sentidos de forma indireta, por meio do aumento da ocupação e da renda, que gradualmente se disseminam para o restante da economia.
Setores que dependem do crédito avançaram
Apesar da renda do trabalhador ainda não ter se recuperado da corrosão da inflação, o consumo pôde aumentar em dezembro principalmente porque as quedas nas taxas de juros tornaram mais baratas as vendas a prazo.
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Os dados do IBGE dessazonalizados confirmam que o comércio varejista se expandiu mais nos segmentos favorecidos pelo crédito. Para se ter uma idéia, o segmento de móveis e eletrodomésticos cresceu 14,4% entre junho e dezembro, e o segmento de automóveis e motocicletas cresceu 16,2% no mesmo período.
Segundo a ata do Copom, o cenário mais provável é de continuidade de recuperação do consumo, tendo em vista os altos índices de intenções do consumidor, a queda da inadimplência e a perspectiva de elevação da massa salarial.
Mercado de Trabalho
Em dezembro, o trabalhador ficou um pouco mais aliviado. De acordo com a Pesquisa Mensal do Emprego (PME), a taxa de desocupação medida pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas do país passou de 12,2% em novembro para 10,9% em dezembro, assinalando o segundo recuo consecutivo.
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A mesma pesquisa do IBGE registrou que o rendimento médio real efetivamente recebido pelas pessoas ocupadas em novembro cresceu 2,8%, ante o verificado em outubro, e recuou 13,1% relativamente ao percebido no mesmo mês de 2002.
Sendo assim, o Copom acredita que a elevação da demanda impulsionada pela recuperação progressiva dos rendimentos reais, pelo aumento do crédito e o aumento da confiança são fatores que confirmam a percepção de que a recuperação da atividade continua positiva.