Publicidade
SÃO PAULO – Após dois cortes consecutivos de 25 pontos percentuais nos meses de março e abril, o Copom (Comitê de Política Monerária) optou por adotar uma postura conservadora, face às turbulências no mercado internacional, anunciando há pouco a manutenção da Selic em 16,0% ao ano, sem viés.
Vale lembrar que o mercado estava bastante dividido com relação à postura da autoridade no tocante a sua política monetária, visto que se por um lado o cenário doméstico se mostra favorável, com a inflação tanto no atacado como ao consumidor sob controle, por outro o panorama externo se deteriorou bastante desde a reunião do mês de abril.
Temor de fuga de capitais
Nesse sentido, diante do acirramento das tensões geopolíticas, sobretudo no Oriente Médio, o petróleo atingiu cotação nominal recorde nas últimas sessões, superando os US$ 41 no mercado de Nova York.
Como as principais economias do planeta são muito dependentes dessa fonte de energia, uma alta da commodity pode causar uma pressão inflacionária, o que pode levar o Federal Reserve a elevar a taxa básica de juro do país, já que a fragilidade no mercado de trabalho, que impedia sua alteração, não é mais uma restrição.
Vale lembrar que uma alta dos Fed Funds reduz a competitividade dos ativos emergentes, sobretudo do Brasil, podendo levar a uma fuga de capitais, forçando a autoridade monetária brasileira a adotar uma postura mais conservadora, temendo uma espiral inflacionária no país, com a desvalorização do real.
Turbulências externas ofuscaram indicadores domésticos
As recentes turbulências no panorama externo acabaram por ofuscar os relativamente bons números da economia doméstica. Nesse sentido, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), medida ofical de inflação do governo, segue sob controle, revelando que os reajustes dos preços no atacado não estão sendo refletidos no varejo.
Continua depois da publicidade
Deste modo, em abril, o indicador do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que os preços avançaram 0,37%, acumulando no ano expansão de 2,23%. Para o mês de maio, os analistas apontam inflação de 0,44%, segundo o relatório Focus do Banco Central.
Além disso, o mesmo IBGE revelou que a produção industrial apresentou forte expansão de 11,9% em março, em relação ao mesmo período do ano anterior, o sétimo aumento consecutivo neste tipo de comparação. Frente ao mês de fevereiro, o crescimento verificado foi de 2,1%, levando o trimestre a apresentar crescimento de 5,8% frente aos três primeiros meses de 2003.
Finalmente, o mercado de trabalho segue apresentando fragilidade, visto que no mês de março a taxa de desemprego atingiu 12,8% da População Economicamente Ativa (PEA), um crescimento de 0,8 ponto percentual em relação à taxa observada em fevereiro. No mesmo mês do ano anterior, a taxa de desemprego foi de 12,3%.