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SÃO PAULO – Em linha com as expectativas da maior parte do mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) acelerou o ritmo de afrouxamento monetário e cortou a taxa Selic em 0,50 ponto percentual na noite desta quarta-feira (6), para 12,00% ao ano.
Esta foi a décima sexta redução consecutiva do juro, totalizando um recuo de 7,75 pontos-percentuais e o primeiro corte desta magnitude desde a reunião de novembro de 2006. Ainda que a maioria do mercado apostasse no corte mais expressivo da taxa, alguns analistas acreditavam que a autoridade monetária não alteraria o ritmo de corte de 25 pontos-base.
Cenário benigno e Investment Grade próximo
A percepção de que o cenário prospectivo para a inflação é benigno, conforme evidenciado pela ata da última reunião do Comitê, associado à aproximação do rating soberano brasileiro ao nível de Investment Grade pelas três principais agências de classificação de risco do mundo, fundamentaram as expectativas de aceleração no ritmo de corte da taxa Selic.
Ademais, a falta de unanimidade entre os membros do Copom em sua última reunião, em abril, quando três dos sete membros votaram a favor do corte de 50 pontos-base na taxa, reforçaram as expectativas do mercado.
A justificativa para que membros da autoridade monetária votassem, naquela ocasião, em um corte mais significativo da Selic, fundamentou-se na percepção de que se acumulam sinais de que a contribuição das importações para a consolidação de um cenário benigno para a inflação no horizonte de projeção poderá ser maior do que a inicialmente contemplada.
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Apostas no conservadorismo
Muito embora a maior expectativa fosse de aceleração no ritmo de corte, a hipótese de mais um corte de 0,25 ponto percentual no juro não estava descartada pelos analistas.
Para Arthur Carvalho, economista-chefe da Ativa Corretora, “o Copom, ao acelerar novamente o corte de juros, irá arriscar uma aceleração da atividade e uma parada mais rápida do processo de flexibilização da política monetária”, de modo que um corte de 50 pontos-base poderia sinalizar novos cortes dessa magnitude nas próximas reuniões, estimulando a economia e, assim, comprometendo a extensão do atual ciclo de queda da taxa.
Adicionalmente, os analistas do banco Santander lembraram que, a despeito da perspectiva de assunção do Grau de Investimento contribuir significativamente para a redução das taxas de juros, não se pode perder de vista que o principal compromisso da autoridade monetária é com a inflação e, portanto, sua decisão seria pautada em suas perspectivas para a mesma.