Copel (CPLE6): por que os analistas viram a venda de fatia na UEGA como positiva

Desinvestimento também ajuda a Copel a cumprir sua estratégia de descarbonização

Felipe Moreira

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A Copel (CPLE6) anunciou na noite da última quinta-feira (14) a venda da termelétrica a gás natural Araucária (UEGA) para a Âmbar Energia, empresa de energia do grupo J&F, por R$ 320 milhões.

O Bradesco BBI classificou o desinvestimento com muito positivo para companhia elétrica, uma vez que a UEGA tem sido um ativo que drena dinheiro, pois não tem um contrato de fornecimento de gás a longo prazo, forçando-a a operar como uma central elétrica comercial, sem um fluxo consistente de receitas para cobrir os seus custos fixos.

Segundo cálculos do BBI, a venda adiciona R$ 100 milhões em valor patrimonial à Copel, abaixo do preço de venda anunciado, o que significa que aumentaria o preço-alvo marginalmente, apenas em R$ 0,06 por ação.

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No 3T23, o valor contábil da UEGA era de aproximadamente R$ 47 milhões, mas é provável que a Copel consiga reverter o valor recuperável de R$ 200 milhões que registrou no ativo, justificando esse movimento com o acordo de M&A. Isto é importante porque definirá o valor do ganho contábil e impostos a serem pagos quando o negócio for fechado no 1T24.

Independentemente disso, assumindo o pior cenário (sem reversão de redução ao valor recuperável), a Copel deverá reportar um ganho de cerca de R$ 243 milhões com esta operação (preço de venda de R$ 291 milhões – R$ 47 milhões BV), levando a um pagamento de impostos de R$ 83 milhões. Isso acabaria deixando a Copel com caixa líquido de R$ 207 milhões provenientes da transação.

Nesse cenário, a venda da UEGA reduzirá o múltiplo de dívida líquida/Ebitda da Copel em 0,08 vez, aumentando a possibilidade de um dividendo “extraordinário” acima do pagamento esperado de 50%. Supondo que todos os R$ 207 milhões sejam pagos como dividendos, o rendimento incremental seria de 0,7%. Para os analistas, isso não necessariamente seria transformacional, mas seria um bom primeiro passo que indica o que pode acontecer a seguir, uma vez que a Copel venda a distribuidora de gás Compagas no primeiro semestre de 2024.

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Para o BBI, outra boa externalidade desta transação é que ela reduzirá a pegada de carbono e poderá ajudar a reduzir qualquer resistência de investidores/fundos ESG para ingressar na base de acionistas da Copel.

O JPMorgan também avalia a transação como positiva, uma vez que a empresa conseguiu vender um ativo que queimava caixa por R$ 291 milhões em capital próprio (ajustado).

Segundo o JPMorgan, a combinação da transação mais os custos evitados resulta em um benefício de R$ 462 milhões para a Copel.

Analistas do banco ainda destacam que o valor pode aumentar se for isento de imposto sobre ganho de capital, traduzindo se em um impacto positivo de R$ 0,15 por ação ou +1,5% da capitalização de mercado.

O Morgan Stanley destaca ainda que a operação faz com que a Copel se concentre em ativos essenciais, além de mitigar sua exposição a um ativo que vem contribuindo negativamente para seus resultados operacionais (ou seja, Ebitda ajustado negativo de US$ 50 milhões nos nove primeiros meses de 2023).

Embora relativamente pequeno, a avaliação ficou acima da estimativa patrimonial para o ativo de -R$ 35 milhões. Além disso, deverá contribuir ainda mais para reduzir a alavancagem da empresa (-0,1 vez dívida líquida/Ebitda, para 2,2 vezes). O Morgan acrescenta que combinado com outra potencial venda de ativos (ou seja, Compagas), a redução da alavancagem poderia abrir caminho para dividendos extraordinários.

O BBI destaca que a Copel continua sendo sua principal escolha no setor (seguida pela Sabesp e Eletrobras), com classificação outperform (recomendação acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço alvo para o final de 2024 de R$ 12,50 por ação.

O JPMorgan também reitera recomendação equivalente à compra e preço-alvo de R$ 12.

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