Copasa: por que ação caiu 5% com escolha de Equatorial como investidor de referência?

Copasa (CSMG3) anunciou que a Equatorial Energia (EQTL3) foi definida como investidora de referência finalista no processo de privatização da companhia

Felipe Moreira

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Foto: Divulgação
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A Copasa (CSMG3) anunciou que a Equatorial Energia (EQTL3) foi definida como investidora de referência finalista no processo de privatização da companhia, que prevê a aquisição de uma participação de 30% por R$ 49,03 por ação.

O preço ofertado ficou acima do valor mínimo estabelecido de R$ 47,23 por ação, mas abaixo da cotação de fechamento do dia, de R$ 59 por ação. A operação representa um investimento total de aproximadamente R$ 5,6 bilhões. Para efeito de comparação, uma participação de 30% na Copasa, aos preços de mercado atuais, vale cerca de R$ 6,7 bilhões.

De acordo com o fato relevante, a Equatorial foi a única interessada na posição de investidor de referência.

Ao final do pregão desta sexta-feira (5), as ações da Copasa caíram 5,25%, a R$ 56,85, enquanto Equatorial recuou 2,26%, a R$ 38,91.

Na visão do Morgan Stanley, a privatização aumenta o potencial de geração de valor da Copasa, especialmente sob a liderança operacional da Equatorial.

O Bradesco BBI avalia a operação como positiva para a Equatorial, destacando mais um movimento consistente de alocação de capital em condições atrativas. A aquisição foi realizada próxima ao piso de preço e implica uma TIR (Taxa Interna de Retorno) real estimada em torno de 12%, além de um potencial de valorização inicial relevante —considerando a preço-alvo de R$ 61,00 para CSMG3.

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Do ponto de vista estratégico, a companhia passa a consolidar uma plataforma relevante em saneamento, com ativos em regiões de alta densidade e sob um modelo regulatório favorável, o que permite maior previsibilidade e espaço para captura de eficiência.

Em termos operacionais, um cenário de privatização que contempla forte redução de custos (cerca de 40% até 2029), investimentos elevados (R$ 35 bilhões até 2033) e contratos de longo prazo até 2073, o que reforça a visibilidade da tese. O BBI ainda vê potencial adicional caso a Equatorial avance além dessas premissas, dado seu histórico de execução.

Do lado financeiro, o impacto na alavancagem é limitado, com aumento estimado de apenas 0,3 vez a relação Dívida Líquida/EBITDA, permanecendo em níveis confortáveis.

Para a Copasa, a entrada de um acionista estratégico tende a ser um importante catalisador, melhorando a percepção de governança e abrindo espaço para ganhos operacionais.

No curto prazo, o principal ponto de atenção será o resultado do bookbuilding, que definirá o equilíbrio entre participação de mercado e posicionamento estratégico da Equatorial dentro do ativo.

Próximas etapas da privatização

Segundo o cronograma divulgado pela Copasa, o período de reserva da oferta terá início em 5 de junho.

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Durante essa fase, investidores da oferta não profissional poderão apresentar pedidos de reserva para adquirir a parcela remanescente de até 20% do capital da companhia. Atualmente, o governo de Minas Gerais detém aproximadamente 50% das ações da empresa.

A definição do preço da oferta está prevista para 11 de junho, enquanto a liquidação financeira deve ocorrer em 16 de junho.

Caso a privatização seja confirmada, os analistas do JPMorgan acreditam que as ações da Copasa ainda poderiam subir cerca de 10%, assumindo convergência da TIR para o patamar mais baixo do prêmio de risco observado na Sabesp (SBSP3) em abril de 2026.

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Para a Equatorial, considerando a aquisição de 30% da Copasa, o JPMorgan calcula criação de valor entre 2,5% e 4,5% do valor presente líquido. Em um cenário em que ambas as empresas passem a negociar com TIR real de 10%, o potencial de valorização da Equatorial chegaria a 17%.

Goldman mantém preferência por Equatorial

O Goldman Sachs reiterou sua preferência pela Equatorial entre as distribuidoras de energia sob sua cobertura, mantendo recomendação de compra para as ações.

O banco considera a empresa uma das melhores alocadoras de capital do setor e avalia que o papel negocia atualmente a uma taxa interna de retorno (TIR) real próxima de 12%, considerada atrativa.

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O Morgan Stanley também mantém recomendação overweight (equivalente à compra) para a Equatorial, com preço-alvo de R$ 45, classificando o papel entre seus favoritos dentro do universo de cobertura.

O Bradesco BBI reitera recomendação de compra para Equatorial, com preço-alvo de R$ 54,00.

Visão mais cautelosa para Copasa

Apesar de reconhecer que a entrada da Equatorial fortalece a tese de investimento da Copasa ao aumentar a confiança na execução operacional e na geração de valor, o Morgan Stanley mantém recomendação equal-weight (neutra) para a companhia.

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O banco destaca que ainda existem riscos relevantes, como possíveis mudanças regulatórias e a adesão dos municípios ao processo de privatização.

Além disso, após a forte valorização recente das ações, a Copasa passou a apresentar potencial de queda em relação ao preço-alvo-base do banco e apenas cerca de 25% de valorização até o cenário otimista, uma relação risco-retorno considerada menos atraente quando comparada a outras empresas do setor.