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SÃO PAULO – O otimismo com a Copa do Mundo de 2014 não deve se traduzir em melhores números para o PIB (Produto Interno Bruto), pelo menos não de acordo com as estimativas do Credit Suisse. Em seu relatório de perspectivas anuais, o banco suíço vê que o crescimento do PIB em 2014 será próximo ao de 2013, assim como o de 2015.
Para o próximo ano, a equipe econômica do banco acredita em um crescimento de 2% da economia, ante crescimento de 2,5% em 2013 e 2015. E ressaltam que as previsões de crescimento por parte dos agentes do mercado para a economia brasileira estão bastante dispersas, em meio à incerteza sobre em que ritmo se dará o crescimento da economia global e frente à incerteza com relação à condução da política econômica.
Por outro lado, eles possuem uma visão mais positiva com relação ao crescimento econômico global, que aumentará significativamente nos próximos anos. A aceleração, de 2,9% neste ano para 3,7% no próximo e 3,9% no próximo, será puxada principalmente pelo maior crescimento dos países desenvolvidos, de 1,1% para 2,1% em 2014.
Já para o Brasil, o ano, apesar da Copa, não será nada favorável. A equipe do banco ressalta que os investimentos programados para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil são de R$ 28 bilhões, com a maior parte concentrada em mobilidade urbana, aeroportos e estádios, mas que não há evidência de que ela estimulará significativamente a expansão da atividade no ano do evento.
E ressalta: apenas metade dos países que sediaram copas do mundo entre 1962 e 2010 registrou crescimento do PIB no ano da Copa superior à média dos dois anos anteriores ou posteriores à Copa.
Os vencedores…
Dentre os que tiveram expansão superior, destaque para o Chile (1962), México (1970), EUA (1994), França (1998), Coreia do Sul (2002), Alemanha (2006) e África do Sul (1994). Entre os com expansão inferior, está a Inglaterra (1966), Alemanha (1974), Argentina (1978), Espanha (1982), México (1986), Itália (1990) e Japão (2002).
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Os economistas do banco avaliam ainda que o balanço de riscos final é desfavorável para o crescimento da atividade econômica em 2014, ressaltando três resultados favoráveis e quatro desfavoráveis (como pode ser observado no quadro ao final da matéria). Os destaques positivos são a possível mudança de estratégia do governo em tentar reduzir o déficit nominal, o programa de concessões favorável e, do lado negativo, a aceleração da inflação e o declínio da confiança dos empresários.
Em destaque também, está a projeção de crescimento do consumo do governo nos anos com eleições presidenciais, que foi superior ao dos anos sem eleições presidenciais. O crescimento médio do consumo do governo nas últimas cinco eleições presidenciais, entre 1994 e 2010, foi de 3,0% na média, ante 2,1% de crescimento nos anos em que não houve eleições.
Algumas das possíveis razões para a aceleração do consumo do governo nos anos de eleição presidencial são a publicação de material de divulgação, os gastos com viagens e diárias, o aumento dos gastos com materiais de saúde e emergenciais, o maior gasto de custeio com obras de investimento e aumento da população empregada pelo setor público, destacam os economistas do Credit Suisse.
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Balanço de riscos para o Brasil em 2014:
| Resultados Favoráveis | Resultados desfavoráveis |
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Anúncio de estratégia de redução crível do déficit nominal nos próximos anos: a melhoria da confiança decorrente dessa medida reduziria a volatilidade da taxa de câmbio e diminuiria o risco país.
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Aceleração da inflação no início de 2014: esse processo reduziria a expansão do consumo das famílias e estenderia o aperto monetário, desacelerando ainda mais a atividade. |
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Resultado favorável do programa de concessões: leilões bem-sucedidos no âmbito do PIL (Programa de Investimento em Logística) elevariam a confiança de empresários e estimulariam investimentos em infraestrutura. |
Declínio adicional da confiança de empresários: cenário compatível com maior desaceleração dos investimentos. |
| Maior aceleração global: mesmo com maior volatilidade no curto prazo, o aumento do crescimento nos países desenvolvidos, em um cenário de redução do programa QE3 pelo Fed, elevaria a expansão da atividade do Brasil nos próximos anos, contribuindo para a recuperação da confiança. | Antecipação prematura da moderação na compra de títulos pelo Fed: isso elevaria a incerteza, com aumento da volatilidade dos preços de ativos e desaceleração da atividade global. |
| – | Contínua deterioração das contas externas: a ausência de recuperação do saldo comercial e a consequente alta adicional do déficit em transações correntes elevariam a incerteza sobre os fundamentos do País. |