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SÃO PAULO – Se ainda existiam dúvidas sobre a deterioração do mercado internacional de minério de ferro, elas foram afastadas nesta sexta-feira (31), com as medidas para ajuste da produção anunciadas pela Vale (VALE5). Como revelam analistas do Citigroup, o cenário para os preços não é nada animador.
A queda de braço travada pela mineradora brasileira com as siderúrgicas chinesas, para reajuste adicional dos preços do minério de ferro em 2008, parece pender cada vez mais para o lado asiático. Com a crise financeira internacional e projeções de forte desaceleração global, muitas companhias siderúrgicas reduzem sua produção, afetando diretamente a demanda pelo principal insumo do aço: o minério de ferro.
Independência
De acordo com o analista do Citi, Stephen Hacking, “a China pode viver sem o minério brasileiro nas atuais condições, embora com um impacto financeiro negativo sobre as siderúrgicas maiores”. Além da interrupção dos carregamentos da Vale, outro indicador da quebra do consumo no país é a queda abrupta dos preços no mercado à vista.
À diferença dos contratos diretos entre os grandes produtores e consumidores, com preços definidos para o longo prazo e tradicionais revisões anuais, as cotações no mercado spot chinês reagem instantaneamente a alterações nas forças de oferta e demanda. E a queda tem sido dramática – desde julho deste ano, os preços caíram de valor próximo a US$ 200 por tonelada para abaixo de US$ 80.
Segundo Hacking, o mercado da commodity move-se na direção de um excesso de oferta e os contratos de longo prazo devem sofrer redução de 20% nos próximos dois anos, podendo reduzir-se pela metade, caso a produção global de aço continue a cair. De acordo com relatório do Citi, a produção de aço na China, nos EUA e na Europa já foi reduzida entre 10% e 20%.
Curva de custos
Em estudo produzido pela instituição financeira, os preços do minério de ferro possuem suporte próximo dos US$ 100 por tonelada, caso sejam levados em consideração os níveis de produção do primeiro semestre de 2008. Todavia, uma redução de 100 milhões de toneladas na demanda – ou 7% do total – poderia levá-los para cerca de US$ 70 por tonelada.
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Tal análise leva em consideração a curva de custos estimada para a produção do minério de ferro. Todavia, “os preços correntes do alumínio e níquel são lembranças atuais de que curvas de custos nem sempre proporcionam suportes de preço no curto prazo”, ressaltam os analistas.
Resposta
Em resposta a essa perspectiva, a brasileira Vale decidiu reduzir sua produção em 30 milhões de toneladas de minério de ferro, além de paralisar cerca de 20% da sua capacidade de produção de pelotas. Ainda assim, a empresa afirma que manterá a execução de seu plano de investimentos em 2009.
“Nós estamos numa situação financeira confortável, sabemos quanto valem nossos produtos e não vamos vender por menos”, endureceu o presidente da companhia de mineração Roger Agnelli, em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira (31).