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SÃO PAULO – Nesta quarta-feira (3) o contrato futuro de ouro para junho de 2013, negociado na Comex, divisão da NYSE (New York Stock Exchange) nos Estados Unidos, caiu para o seu menor patamar em 9 meses ao atingir US$ 1.553 a onça, caindo 1,4% na sessão. De acordo com a FactSet, este é o menor valor do contrato, que é o mais negociado, desde o dia 28 de junho de 2012.
Para o diretor da Global Hunter Securities, Jeffrey Wright, o fato do maior fundo de ETF (Exchange-Traded Fund) em ouro ter realizado um movimento de saída do contrato criou uma pressão vendedora no mercado de ouro, em oposição à demanda ao mercado físico que existe.
As perdas ocorreram após as ações do SPDR Gold Trust, um dos maiores fundos, caírem 1,5% durante a tarde, acumulando queda de 7% no ano. Holdings no ETF de ouro caiu para 38,9 milhões de onças na terça-feira, ante 39,1 milhões na segunda. No início do ano, essa taxa era de 43,4 milhões de onças.
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Wright explica que o SPDR Gold Trust é um fundo com lastro verdadeiro, já que compra ouro toda vez que um investidor investe seu dinheiro nele. “Isso tem criado um aumento na demanda física durante os últimos anos. O oposto agora também é verdadeiro, com essa venda pressionando as saídas de ouro físico em um mercado já suave”, completa o diretor.
A analista Jan Skoyles, da The Real Asset, o mercado físico e o mercado futuro estão desconectados. “Enquanto a compra física de ouro segue com uma forte demanda, o mercado de contratos futuros olha para os preços atuais e não vê um investimento tão atrativo”, explica ela. Skoyles finaliza dizendo que os compradores de ouro físico ainda estão interessados no investimento, mas estão esperando os preços caírem, por isso seguem cautelosos.
Diversos analistas entendem que os fundos de ETF mudaram o mercado de ouro. Para o analista em ouro, Chintan Karnani, os investidores de ouro em fundos de ETF estão optando por outros não-ativos baseados em ouro, devido a força da economia norte-americana.
O analista técnico da GFT Markets, Fawad Razaqzada, afirma que, mesmo com um mercado cauteloso para os contratos futuros, “a procura de metais na forma física continua, com relatos de que as importações de prata da Turquia subiram mais de 30%, e a de ouro subiram para um recorde de oito meses em março”, disse ele, acrescentando que os bancos centrais permanecem significativos compradores físicos do metal.