Contratação de brasileiros por navios estrangeiros deve seguir lei brasileira, diz TST

Medida deve ser aplicada aos brasileiros que prestam serviços a bordo de navios e cruzeiros de bandeira estrangeira

Estadão Conteúdo

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A lei sobre trabalhadores contratados ou transferidos para o exterior deve ser aplicada quando brasileiros prestam serviços a bordo de navios e cruzeiros de bandeira estrangeira, tanto em percursos em águas nacionais como internacionais.

Esse foi o entendimento firmado pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho), que escolheu pela incidência da legislação brasileira quando for a norma mais favorável.

A decisão consta de acórdão publicado em 7 de dezembro, pela Subseção I Especializada em Dissídios Individuais – órgão responsável pela uniformização da jurisprudência trabalhista nacional. O redator, ministro Cláudio Brandão, validou a incidência da Lei 7.064/1982 aos casos de pessoas recrutadas no Brasil para trabalharem embarcados.

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Em seu voto, o ministro frisou que a Lei do Pavilhão ou da bandeira do navio – segundo a qual a lei aplicável às relações é a do país da bandeira da embarcação – não incide nesses casos. A decisão foi tomada em caso envolvendo um cruzeiro italiano.

Na avaliação do magistrado, ‘deve-se aplicar a legislação trabalhista de acordo com a norma mais favorável ao empregado contratado no Brasil para prestar serviços no exterior’. “Quando, no direito interno, houver norma mais benéfica, o direito internacional cede-lhe passagem”, ponderou.

Segundo o ministro, nos casos de contratação para trabalho a bordo de um cruzeiro confunde-se o início do contrato com o início de sua execução.

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“Ele é celebrado quando as condições pactuadas são aceitas e, considera-se “no lugar em que foi proposto”, isto é, inequivocamente em território brasileiro. Aqui foram pactuadas as condições, por meio da proposta, e manifestada a concordância, por meio da aceitação”, indicou.

O magistrado evocou a Constituição da Organização Internacional do Trabalho que, em sua avaliação, ‘estabelece inequívoca cláusula de barreira’ à aplicação do direito internacional e, ao mesmo tempo, a prevalência do direito interno, quando mais favorável.

“[A lei 7.064/1982] assegura a prevalência da legislação brasileira, independentemente da observância da legislação do local da execução dos serviços, quando se tratar dos direitos nela expressamente previstos e no que diz respeito à proteção ao trabalho, quando mais favorável do que a legislação territorial”, anotou.

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