Contração na economia do Japão é a pior em 54 anos; recuperação virá em 2010

Retração foi de 15,2% no primeiro trimestre; Société Générale e MUFJ apresentam suas projeções

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SÃO PAULO – A economia do Japão registrou contração recorde nos três primeiros meses de 2009 e, apesar de atingir um resultado ainda pior que o dos Estados Unidos e da Europa, a cifra veio melhor do que o esperado pelo mercado.

O PIB (Produto Interno Bruto) japonês atingiu um crescimento negativo de 15,2% no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2008. A retração foi provocada principalmente pelo recuo nas exportações e nos gastos das empresas e dos consumidores.

Trata-se da maior queda desde 1955, período marcado pelo final da Segunda Guerra Mundial, informou o governo local. Até então, o pior resultado havia sido registrado em 1974, época do choque do petróleo, quando houve queda de 13,1%.

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Apesar de tudo, os dados publicados pelo governo do Japão são pouco melhores do que os esperados por analistas, que projetavam uma retração do PIB entre janeiro e março de até 16,2%, em relação ao mesmo período do ano anterior, e de até 4,3% frente ao trimestre precedente.

Para o banco francês Société Générale, a retração no primeiro trimestre de 2009 foi o ápice de um crescimento negativo que a economia japonesa poderia registrar neste período de crise. Vale lembrar que o PIB do arquipélago teve contração de 3,5% no ano fiscal 2008, registrando a primeira queda em sete anos.

Deterioração

Os dados mostram que a segunda maior economia do mundo aprofunda sua recessão. Entre outubro e dezembro de 2008, o Japão registrou contração de 3,3% em seu PIB, na base trimestral; entre julho e setembro, de 0,4%; e entre abril e junho, de 3%.

É a primeira vez na história que a economia do país asiático sofre retração por quatro trimestres consecutivos. Para o Société Générale, o país está em “depressão”, já que o PIB caiu mais de 10%.

Fundo do poço?

A queda nas vendas para o exterior se refletiu nos balanços de suas principais empresas, como Toyota, Sony, Panasonic e NEC, que terminaram o ano fiscal (período de 12 meses encerrado em março) com prejuízos bilionários.

Com o menor consumo, interno e externo, as empresas diminuíram seus estoques e demitiram milhares de trabalhadores. A taxa de desemprego em março ficou em 4,8%, um ponto percentual superior à do mesmo período de 2008 e a maior desde agosto de 2004.

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A demanda interna, que representa 55% do PIB japonês, caiu 1,1% no primeiro trimestre do ano, em comparação com o anterior, acompanhando a queda de 10,3% nos investimentos de capital.

Perspectivas

Para o ano fiscal 2009, que termina em março de 2010, o governo do Japão calculou em abril que seu PIB deve sofrer retração de 3,3%, alcançando o pior dado desde a Segunda Guerra Mundial.

Contudo, para tentar frear a queda, as autoridades locais anunciaram um pacote de estímulo econômico de US$ 150 bilhões que incluem incentivos para que consumidores comprem carros menos poluentes e ajuda para desempregados e pequenas empresas.

Analistas dizem que o gasto estatal e os investimentos das empresas para recomporem seus estoques devem impedir uma queda tão grande no atual trimestre.

De acordo com o Société Générale, “o Japão foi a primeira economia desenvolvida a entrar em recessão (em novembro de 2007) e, provavelmente, deverá ser o último país a sair”. A instituição financeira francesa prevê que “o retorno de um crescimento sustentável ocorrerá no final de 2010”.

Na mesma tendência, o MUFJ (Mitsubishi UFJ Financial), maior banco do Japão, estima que o PIB do país asiático terá contração de 4% no ano fiscal de 2009, para então fechar 2010 com crescimento de 0,6% e 2011 com expansão de 1,6%.

O banco japonês reiterou que, após a divulgação dos dados do primeiro trimestre de 2009, irá revisar as projeções para o PIB.