Publicidade
SÃO PAULO – A sustentabilidade do rali atual dos mercados pode depender de uma questão específica: a temporada de resultados. Independentemente de contribuições pontuais dos balanços de cada empresa às suas ações, os números do terceiro trimestre chegam com a responsabilidade de confirmar uma expectativa positiva que o mercado já reflete em relação à economia real.
Mas não se restringe a contribuições pontuais. Como se trata de uma crise potencializada pelo setor financeiro, em especial o norte-americano, os balanços dos bancos devem fornecer uma ideia mais concreta a respeito de um dos setores mais expostos durante a crise.
E nesta temporada de resultados, os bancos são caso à parte. Isto porque o restante dos setores produtivos deve refletir os pacotes de estímulo lançados ao redor do mundo e seus impactos sobre a demanda e tudo mais. Os bancos norte-americanos também vêm em meio a um contexto de estímulos. Mas estímulos específicos, cujos resultados e potenciais consequências ainda são questionados.
Por estas e outras, fato é que o mercado deve reservar atenção extra para os bancos norte-americanos nas próximas sessões.
Mais do que lucro ou prejuízo
A perspectiva de melhora das condições de crédito e liquidez do sistema é fundamental para qualquer recuperação, assim como as respostas do lado real da economia. Em momento crucial para as principais bolsas internacionais, que acumularam expressivo rali no terceiro trimestre, a impressão deixada pelos balanços dos principais bancos nos próximos dias pode sustentar ou colocar em xeque o bom momento dos mercados.
Familiarizado com o setor financeiro dos Estados Unidos, Paul Brigandi, gestor da Direxion Funds, que administra cerca de US$ 6 bilhões em fundos mútuos naquele país, sugeriu no portal MarketWatch atenção não apenas ao resultado do período em questão. “Se o mercado sobe, não é apenas porque as companhias bateram estimativas, mas por conta de receitas e guidance positivos”.
Continua depois da publicidade
Mais do que lucro ou prejuízo, o investidor deve se atentar para a percepção de futuro das companhias e o comportamento de seu mercado consumidor em especial. Os números divulgados nesta quinta-feira (15) pelo Goldman Sachs parecem exemplo ideal.
A instituição mostrou lucro líquido de US$ 3,19 bilhões no terceiro trimestre, acima do esperado por analistas. Por outro lado, sua receita registrou queda de 10% na comparação anual – o que ajuda a explicar a desvalorização de 1,90% dos papéis em resposta.
Meio termo
Até o momento, um meio-termo. A quarta-feira (14) inaugurou a temporada de resultados dos bancos alimentando ânimos. O JP Morgan abriu as divulgações com
Continua depois da publicidade
lucro líquido de US$ 3,6 bilhões, melhor que as projeções; mas principalmente com um avanço de 79% em sua receita líquida em relação ao resultado de 2008. Os números espalharam bom humor e ajudaram a sustentar a sessão extremamente positiva para os mercados na véspera.
Mas de certa forma, a quinta-feira trouxe dúvidas. Não bastasse a divulgação do Goldman, vieram os números do Citigroup, que mesmo com lucro líquido de US$ 101 milhões, também maior que as expectativas, e avanço de 25,4% em suas receitas, suas ações desabaram 5% em Nova York. O movimento pode ser creditado ao volume de reservas adicionado pelo banco a suas provisões para crédito duvidoso, que veio no menor nível dos últimos dois anos.
Ainda por vir
Ainda faltam os balanços de Bank of America, na próxima sexta-feira, e instituições como Morgan Stanley, Wells Fargo e Bank of New York Mellon, todos na próxima semana. A tendência é mesmo de avanço dos principais indicadores operacionais. Como explica Gustav Gorsky, economista-chefe da Geração Futuro:
Continua depois da publicidade
“De forma macro, sem dúvida os resultados vão ser bem melhores, os negócios estão mais fortes, as bolsas voltaram a subir – isso dá mais corretagem, se voltou a emitir títulos de renda fixa, algumas fusões e aquisições e parece que as perdas com títulos ligados a hipotecas pararam de acontecer”.
Novas expectativas
Mesmo com o consenso de números fortes como os que vieram até agora, as diferentes reações do mercado a cada caso acendem um sinal de alerta. Quanto à reação das ações dos bancos, também é preciso ressaltar que elas vêm de forte rali, sendo que os números divulgados devem ao menos satisfazer estas expectativas de ganhos já incorporadas nos ativos.
Para a continuidade do rali é preciso criar novas expectativas, o que reforça a sugestão de olhar além dos números, até a percepção de futuro das companhias.