Conta de luz: “cobrança baseada em qualidade do serviço é absurda”, diz Idec

Engenheiro afirma que serviços de baixa qualidade causam prejuízos, e que tarifas baratas se reverteriam em perdas futuras

•

Publicidade

SÃO PAULO – O Instituto Acende Brasil, que elabora estudos de aprimoramento do setor elétrico brasileiro, defendeu que as contas de energia elétrica sejam cobradas de acordo com a qualidade do serviço prestado.

Assim, áreas isoladas, onde o fornecimento de energia elétrica poderia ser interrompido com mais freqüência, teriam menores valores de tarifa, enquanto em áreas nobres, com garantia de fornecimento e construção de redes de backup, o preço seria mais elevado.

Para o assessor técnico do Idec e engenheiro elétrico, Marcos Pó, a idéia é um absurdo. “A lógica até seria razoável, mas o pessoal de baixa renda seria muito prejudicado. Não estou nem falando de queda de energia, mas sim da voltagem recebida nas residências. Os aparelhos são feitos para funcionar em uma voltagem de 127v. Supondo que essas redes com menor qualidade transmitam energia com 115v, os eletrodomésticos queimariam com mais facilidade. Assim, o barato, em curto prazo, vai sair caro”.

Fiscalização

O engenheiro afirma ainda que os cidadãos que consomem energia elétrica poderiam ser prejudicados pela falta de fiscalização da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

“Atualmente, a Aneel já não faz uma boa fiscalização da energia que chega até as casas. A Agência, por exemplo, tem uma resolução de 2001 que a obriga a publicar qual é a tensão das redes de cada operadora e isso não acontece. Tenho medo que, se essa medida for adotada, muita gente que optar pelo serviço bom receberá o ruim, já que não haverá fiscalização, e o consumidor não tem como comprovar o que ele recebe”, explica. “Sem falar que deve haver um padrão mínimo de qualidade, não é? Aliás, tenho minhas dúvidas se, atualmente, a energia que recebemos tem esse mínimo necessário”.

Para o técnico, um bom serviço de energia elétrica é direito de todos os cidadãos. “Não pode haver discriminação. É meio absurdo dizer: você não pode pagar por algo bom, que fique com um serviço ruim. É como se você dissesse: não pode pagar pela água potável então receberá uma que não é tão potável assim, e isso não é justo”, afirma.

Continua depois da publicidade

Quanto à dificuldade de implantação desse sistema, o engenheiro afirma “que é difícil implantar e fazer funcionar, mas não é impossível. Eu até acredito que isso possa a acontecer no Brasil, mas aí dizer que vai funcionar de forma correta, já são outros quinhentos”, finaliza.