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SÃO PAULO – As perspectivas de crescimento do consumo brasileiro e a evolução do mercado de crédito doméstico são os drivers que sustentam o otimismo para as ações da Lojas Americanas (LAME4).
“A expectativa de crescimento do País, a melhoria de renda da população e o aumento do crédito no mercado doméstico beneficiam diretamente a empresa, que, mesmo diante da crise mundial, apresentou um crescimento de 17,2% em suas receitas e de 20,2% no seu lucro operacional no primeiro semestre”, explicam os analistas da Win Corretora.
Para eles, com o portfólio que a empresa possui atualmente, comprar ações da Lojas Americanas é uma “excelente opção para quem planeja investir em uma retomada consistente do crescimento doméstico, pouco dependente do desempenho mundial”, falam.
A Win estima um preço-alvo de R$ 19,50 para as ações da companhia, mantendo a empresa em sua carteira de recomendações para o mês de fevereiro. O potencial de valorização dos papéis é de 51% ante o último fechamento (R$ 12,91).
Atuação
Atualmente, a empresa gerencia 471 lojas e três centros de distribuição no país, ao mesmo tempo em que detém 56,62% da B2W (BTOW3), líder do segmento de comércio eletrônico por meio dos portais Americanas.com e Submarino.
“Além disso, a Lojas Americanas oferta crédito pessoal e outros produtos e serviços financeiros através da Financeira Americanas Itaú (FAI), parceria com o banco Itaú que tem contribuído positivamente para o resultado consolidado”, destaca a equipe da Socopa Corretora.
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Ao recomendar a compra das ações da Lojas Americanas em sua carteira de papéis para fevereiro, os analistas da Socopa acreditam que a empresa deve crescer organicamente nos próximos anos.
“Destacamos o agressivo guindance fornecido pela empresa, que prevê abertura de 400 novas lojas nos próximos quatro anos, investimento esse que deve girar em torno de R$ 1 bilhão”, projetam.
Para o analista Oswaldo Telles, do banco Banif, a gestão das Lojas Americanas é conhecida por sua vontade de crescer. “As pessoas veem os gestores como pessoas agressivas, que querem crescer bastante, que têm uma visão de reduzir os custos, enfim, eles vêm administrando esse comércio com sucesso já faz tempo”, comenta Telles.
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O analista explica que, dada a gestão eficiente e as boas perspectivas para a empresa com o crescimento do consumo, os papéis da companhia já são negociados a um preço alto, apesar disso não reprimir as expectativas de mais ganhos para o papel.
“O varejo tem três grandes produtos de consumo: material de informática, eletrônicos e eletroeletrônicos. Esses são os setores mais competitivos do comércio como um todo e a Lojas Americanas também compete nesses setores mais concorridos”, sublinha.
O Banif está otimista para o setor de consumo, mesmo com o fim dos incentivos fiscais. “Eu acho que o que mais impulsiona o consumo é o crescimento da economia, que projeta-se em 5% a 6% para este ano, principalmente com eleições, Copa do Mundo e recuperação da crise”, comenta o analista.
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Termômetro de crescimento
Para Oswaldo Telles, analista do Banif, um possível indicador das boas perspectivas para a Lojas Americanas este ano será seu resultado operacional do quarto trimestre, programado para março. “Todos estão esperando ver o setor como um todo retomar os níveis de crescimento como os de antes da crise”, fala.
Ele explica que, se os dados da Lojas Americanas vierem em linha com o resultado apresentado pela Marisa (MARI3) – única empresa do setor a divulgar seu balanço até então -, confirmando crescimento de vendas em especial no período natalino, o passado ficaria para trás e as análises focariam apenas no futuro.
“A Marisa está mais próxima de Lojas Renner e Guararapes, por ser voltada para a venda de roupas. Mas, mesmo assim, roupas não deixam de ser um indicador de consumo. E o leque da Lojas Americanas é muito grande; eles têm uma política de sazonalização, produtos de época, como os materiais escolares no início do ano, fantasias no carnaval, entre outros”, destaca o analista do Banif.
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Outro banco que vê bons resultados em vista é o Barclays. Para a equipe de research da instituição, as vendas e margens devem vir sólidas no quarto trimestre, melhorando também as expectativas para este ano.
“Em 2010, as vendas vão crescer na maior capacidade de expansão da companhia, mas nós devemos estar cientes de que isto já está em parte precificado no papel da Lojas Americanas”, comenta.
Além disso, o time de analistas do Barclays projeta incremento também nos negócios de serviços financeiros da companhia (FAI), que podem beneficiar as ações da empresa por trazer mais visibilidade para a participação deste segmento na receita líquida futuramente.
A recomendação para as ações LAME4 é de overweight (desempenho acima do mercado) e preço-teórico de R$ 15,00, com potencial de valorização de 16,18% ante a última cotação de fechamento.
Concorrência
Contudo, para Peter Ping Ho, analista da Brava Investimentos, o mix de produtos oferecido pela Lojas Americanas ainda está aquém de seus pares no setor, em especial o Pão de Açúcar (PCAR5).
“Com Pão de Açúcar e Ponto Frio integrando sua rede de vendas e distribuição, a concorrência ficou muito mais acirrada, principalmente porque tanto as Casas Bahia quanto o Pão de Açúcar também estão tentando desenvolver suas vendas através do comércio eletrônico”, explica Ping Ho.
Além do aumento da concorrência tanto em termos de lojas físicas quanto eletrônicas, o analista da Brava Investimentos fala ainda que a confiabilidade do consumidor e da própria estrutura de logística podem influenciar negativamente o case da Lojas Americanas.
“Apesar deles [Lojas Americanas] terem construído uma grande rede de distribuição na região de Jacareí, eu vejo que, para expandir seus negócios em outras regiões, a empresa ainda é fragilizada”, conta. “Ao contrário do Pão de Açúcar que pode envolver toda a região Sul, Sudeste e Nordeste”, contrapõe.
Era eletrônica
Para o analista da Brava, a competição pode ficar ainda mais acirrada se o Grupo Pão de Açúcar conseguir consolidar seus planos de abrir capital de seu segmento de comércio eletrônico, com a chamada Nova PontoCom.
“A Lojas Americanas teria um concorrente de peso mesmo. Isso sem considerar ainda os players estrangeiros, como o WalMart e a própria rede varejista Magazine Luíza, que estão investindo bastante neste segmento [eletrônico]”, alerta Peter Ping Ho.
Somado a isso, Peter conta que a própria Blockbuster, empresa de locação de vídeos, está em um mercado predatório, principalmente com a facilidade de se fazer um download via internet ou pelo próprio mercado de pirataria.
Na opinião de Peter, para marcar sua posição no setor de consumo, a Lojas Americanas precisa fazer novas aquisições e aumentar sua gama de produtos, que é, segundo ele, limitada frente ao portifólio oferecido pelo seu principal concorrente.
‘Como é focada em produtos sazonais, um negócio que não tem grandes demandas e que só tem efeitos temporários, como os materiais escolares na volta às aulas e bombonierie na páscoa, fico ainda receoso com as perspectivas para a empresa e recomendo compra para os papéis”, conclui o analista.