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SÃO PAULO – A alta das commodities agrícolas deve se manter, com o aumento do consumo aliado a questões climáticas globais, como as chuvas na Austrália e América do Sul, contribuindo ainda para a manter o alto patamar dos preços dos alimentos, apontam analistas.
Recentemente, o USDA (departamento norte-americano de agricultura) divulgou relatório no qual pode ser constatada a tendência de valorização da soja e do milho em função da redução dos estoques.
Aumento do consumo e questões climáticas
Esta queda de estoques, vai de encontro com as estimativas do Goldman Sachs, que afirma que este quadro está diretamente relacionado à queda nas previsões de produção e ao aumento constante da demanda, que deve aumentar ainda mais nos próximos meses, segundo previsões da instituição.
O relatório assinado por Damien Courvalin alerta ainda para as questões climáticas do hemisfério sul do planeta, que, segundo ele podem agravar ainda mais a já delicada situação.
Estimativas e recomendações
O Goldman Sachs estima que os contratos futuros de três meses para milho e soja subam de US$ 5,85 e US$ 14,00 por bushel respectivamente, para US$ 7,15 e US$ 16,00 por bushel, na ordem. Dado este cenário, Courvalin recomenda contratos com vencimento em março de 2011 para milho e novembro de 2011 para soja.
Já o trigo deve subir, segundo o analista, de US$ 7,00 por bushel para US$ 7,75 por bushel, enquanto o algodão, deve manter a tendência de valorização e chegar a US$ 1,25 por bushel, fazendo com que a recomendação seja para contratos com vencimento em dezembro de 2011.
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Preços dos alimentos deve seguir em alta
O Deutsche Bank vai além dos razões citadas pelo Goldman Sachs, lembrando também que, além das questões climáticas e de demanda, há ainda problemas de investimentos em infraestrutura, crédito e suporte tecnológico aos agricultores nas regiões produtoras de alimentos.
Ademais, é citado também os subsídios aos biocombustíveis como instrumento que favorece a alto no preço dos alimentos, que apenas no segundo semestre de 2010 cresceram 57% no segmento de grãos, 56% para óleos e gorduras, enquanto o açúcar valorizou 77%, o maior patamar desde 2007 e 2008, segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).
A instituição alemã lembra ainda que há necessidade de estudos e investigações acerca do complexo mecanismo de transmissão de preços entre mercados locais e internacionais, principalmente no que se refere aos mercados e commodities mais voláteis.