Consumo e atividade industrial já iniciaram retomada, afirma Copom

Além de aceleração da inflação, Copom enfatizou na ata a recuperação da economia, que tende a ser consistente

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SÃO PAULO – A queda de dez pontos percentuais na taxa Selic começou a surtir efeito na atividade econômica, segundo a ata divulgada pelo Copom (Comitê de Política Monetária), na quinta-feira. Segundo dados analisados pelo colegiado, há indícios de que a atividade industrial e as vendas no varejo estejam se recuperando, mesmo que ainda seja de forma gradual.

Sendo assim, além de se basear na recente aceleração inflacionária, o Copom justificou a decisão de manter a taxa básica de juro em 16,5% ao ano afirmando que as quedas mais recentes ainda irão afetar positivamente a economia.
Varejo cresceu mais que indústria

Dentre os indicadores citados na ata, o destaque ficou para a expansão do consumo. Segundo dados dessazonalizados do IBGE, houve aumento de 2,1% nas vendas físicas no Brasil, entre outubro e novembro de 2003. Deve-se destacar que o crescimento nas vendas do varejo superou o da produção industrial pela primeira vez neste governo. Enquanto que as vendas no varejo se expandiram 2,1%, a produção industrial cresceu 0,8% em novembro, também em termos dessazonalizados.

A Fecomercio SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) confirmou a recuperação das vendas do comércio. Segundo a instituição, o setor que mais cresceu em novembro foi o comércio automotivo, que avançou 10,2% em novembro, favorecido pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Vale destacar também o aumento de 7,5% na vendas de bens semi-duráveis, que englobam móveis e eletrodomésticos. A única exceção foram as vendas de materiais de construção, que tiveram queda no período.
No que se refere à produção industrial, apesar da recuperação tímida de 0,8% em novembro, deve-se enfatizar que a produção de bens de capital teve forte expansão de 3,9% em novembro. Este indicador é bastante importante, pois a elevação na produção de bens de capital significa que poderá haver uma expansão na atividade industrial nos próximos meses, já que as indústrias estão incrementando suas capacidades instaladas.

É importante mencionar também os desembolsos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDEs). Somente no último trimestre de 2003 foram liberados R$ 12,6 bilhões, cerca de 38% do total do ano, evidenciando a forte concentração no final de 2003. Sendo assim, podemos vislumbrar um impacto bastante positivo na economia, à medida que estes investimentos vão sendo concretizados.

Mercado de Trabalho

Os indicadores de mercado de trabalho costumam reagir mais lentamente em momentos de reativação da economia, pois as empresas esperam um aquecimento mais vigoroso para poderem contratar. Mesmo assim, o índice de emprego formal teve um leve crescimento de 0,4% em novembro, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

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Com relação ao rendimento médio recebido pelas pessoas, segundo o IBGE, atingiu R$ 850,31. Em termos reais, ou seja, descontado a inflação, houve aumento de 0,6% ante o mês anterior. Contudo, ainda pesa no bolso dos trabalhadores a queda de 14,9%, se compararmos novembro de 2003 com o mesmo mês de 2002.

Copom reitera que a retomada é gradual

O colegiado afirmou na ata que é natural que certos setores se recuperem mais rapidamente que outros. A política monetária impacta primeiramente os setores da indústria e comércio que são mais sensíveis às condições de crédito.
Apesar disso, os efeitos positivos nos outros setores irão ser sentidos de forma indireta, por meio do aumento da ocupação e da renda, que gradualmente se disseminam para o restante da economia. Sendo assim, o Copom afirmou que a queda nos juros também deve ser gradual, caso contrário irão se exacerbar as diferenças de velocidade de retomada entre setores e dar margem a pressões inflacionárias nos setores líderes.