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O plano de racionamento de energia elétrica imposto pelo governo federal nas regiões Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte tem registrado uma menor adesão da população, o que é considerado normal pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE), já que em um primeiro momento os consumidores economizaram mais que o necessário e agora estão em transição para adaptar o consumo à meta de redução. De qualquer forma, o ministro Pedro Parente não descarta a possível adoção de um plano mais severo para o Nordeste que tem registrado a menor taxa de economia de energia no país.
Economia de energia e nível dos reservatórios
Nenhuma das regiões que devem atender ao racionamento atingiu a meta de redução de 20% do consumo de energia até 7 de outubro. A região Norte é que se destaca com a maior taxa de economia, já que a redução do consumo atinge 19,2%, seguida pela região interligada Sudeste/Centro-Oeste, com uma taxa de economia de 17,2% no consumo. A principal preocupação atual é com a região Nordeste que registra uma economia de apenas 11,1% no período, o que não descarta a adoção do Plano B, que pode incluir o apagão e a adoção de feriados especiais.
Por outro lado, no que se refere ao nível de água nos reservatórios do país, a região Sudeste/Centro-Oeste se destaca com o maior desvio positivo da atual curva de armazenamento em relação à curva guia elaborada na implantação da redução do consumo, em junho deste ano. Os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste apresentam uma taxa de armazenamento de 21,05%, superando em 5,34 pontos a curva guia. Já no Norte o armazenamento é de 51,85%, ficando em 0,34 ponto aquém da curva guia. No Nordeste, o desvio positivo em relação à curva guia é de apenas 1,44 ponto e a taxa de armazenamento é de 11,40%.
Diante deste quadro, é claramente aceitável pelo governo que a região Sudeste/Centro-Oeste não deve mais necessitar de um racionamento mais severo. O abastecimento de energia está assegurado durante as próximas seis semanas, o que remete à segunda quinzena de novembro, período em que as chuvas devem se tornar mais intensas. Em contrapeso, a região Nordeste vive uma situação bem mais crítica caracterizada por um elevado consumo, associado a uma margem de armazenamento menor nos reservatórios por conta da falta de chuvas.
A preocupação quanto à Região Nordeste
O principal problema atual do Nordeste é o clima quente, que incentiva o uso de eletrodomésticos, como os aparelhos de ar condicionado. Somado a isso, estão as chuvas que caíram no início do mês de outubro na bacia do Rio São Francisco, que não foram suficientes para elevar o nível dos reservatórios das usinas de Sobradinho e de Três Marias, as mais importantes da região. Frente a isso, o governo se empenha em pedir que a população continue a economizar energia elétrica para evitar que o fornecimento entre em colapso.
Então, no Nordeste, o governo vê com tranqüilidade apenas o período das próximas quatro semanas, olhando para frente com preocupação, já que ao que tudo indica o que se conseguiu fazer até agora foi reduzir a velocidade de consumo da água dos reservatórios. No entanto, para repor a água é necessário que o período de chuvas não se afaste muito do presente, evitando assim que a população seja forcada a passar por apagões e feriados extraordinários para ampliar a redução do consumo.
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Principais perspectivas do governo
O governo estima que já a partir do próximo ano, depois do empenho em disponibilizar a energia emergencial, o pior período já tenha passado. Segundo o ministro Pedro Parente, diante da necessidade de muito tempo para a conclusão das obras necessárias para maior geração de energia, essa energia emergencial (no próximo ano) vai ser extremamente necessária.
Para 2003, as estimativas indicam que o país já deve ter superado este período de retração da oferta de energia, com a modificação da matriz energética brasileira, que deve diminuir a dependência dos recursos hídricos em favor da diversificação da fonte de geração de energia. Ademais, já é esperado para o próximo dia 20 de novembro um novo sistema de racionamento de energia que deve começar no dia primeiro de dezembro. Com isso, o governo ganha um pouco mais de tempo para avaliar o impacto do início das chuvas sobre a quantidade de água armazenada para a geração de energia elétrica, para amenizar as metas.