Consumo consciente: Buscapé quer repetir sucesso em nível mundial

Um universitário tentou comprar uma impressora na web. Não conseguiu. Então, enxergou uma oportunidade única

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SÃO PAULO – “Um dos problemas que afetam a sustentabilidade do planeta é o desperdício, inclusive o de dinheiro”, diz o rapaz na televisão.

A campanha publicitária do Buscapé, que marca o aniversário de dez anos da empresa, remete à bandeira da sustentabilidade. Há uma década, ninguém afirmaria com absoluta certeza que o tema estaria tão em voga no País. Mas Zuza Tupinambá, o diretor de criação, afirma que, nos dias de hoje, as pessoas são “bombardeadas” pela sustentabilidade.


Rodrigues: “No Buscapé, é possível comprar de uma lojinha do centro de São Paulo ou de uma grande loja do Shopping Iguatemi”

Segundo ele, o que a empresa pretende, com a publicidade na televisão, no metrô, nas telas de cinema, em painéis de aeroportos e na internet, é mostrar que sustentabilidade tem tudo a ver com a economia na hora das compras.

Talvez essa ideia não fosse tão clara quanto é atualmente, quando quatro estudantes de engenharia da Poli-USP decidiram criar um site de comparação de preços na web. “Fazíamos estágio e todo o dinheiro que conseguíamos ia para a empresa de hospedagem”, lembra o presidente do Buscapé, Romero Rodrigues.

O ano era 1999. Naquela época, a realização de compras pela internet era um tabu. Não apenas para quem comprava, mas também para quem vendia. “Um dia, o telefone tocou. Quando uma empresa é muito pequena e o telefone toca, é sinal de problema. Era o representante de um grande varejista. Ele disse: ‘Não quero estar no site, não quero estar listado, esse site não me favorece!'”, lembra Rodrigues.

O fato é que, anos depois, esse mesmo representante, dessa mesma empresa, ligou ameaçando o Buscapé. “Um dia, ele ligou e disse: ‘Sei que vocês me tiraram da listagem, mas é o seguinte, tenho todo um andar de jurídico aqui e, se não colocarem novamente a empresa no site, vou te processar”.

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Os tempos mudaram quase que radicalmente. Rodrigues lembra que, hoje, a empresa de varejo que não informa preços pela internet está fadada à morte.

Poder do consumidor

A ideia do Buscapé nasceu quando um de seus sócios procurou por uma impressora na internet e não conseguiu encontrar. Foi quando se notou que existia uma demanda e uma oportunidade de negócio. “No Buscapé, é possível adquirir um produto de uma lojinha pequena do centro de São Paulo ou de uma grande loja do Shopping Iguatemi”, explica Rodrigues.

“O ponto positivo do site de comparação de preços é que uma loja pequena consegue competir de igual para igual com grandes varejistas. Enquanto o setor de varejo permanece muito concentrado, no Buscapé, uma pesquisa recente mostrou que a fragmentação é tamanha que nenhuma empresa detém mais de 4% das vendas”.

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As marcas da empresa

Além do Buscapé, a empresa conta com as marcas Bondfaro, e-bit, QueBarato!, Wiki2Buy e Pagamento Digital.

A diferença básica entre Buscapé e Bondfaro é que o segundo passou a banir de seus resultados lojas que não possuem boas práticas de comércio eletrônico. “No Buscapé, todos são inocentes até que se prove o contrário. No Bondfaro, todos são culpados, até que se prove o contrário”, explica Rodrigues.

Já o QueBarato!, site de classificados gratuitos presente em 28 países, foi criado para atender todas as necessidades do consumidor. “Nossa intenção era cercar toda a cadeia. Se alguém compra uma geladeira no Buscapé, pode vender a antiga anunciando no QueBarato!”, acrescenta. Por sua vez, a e-bit é uma consultoria de pesquisas que auxilia tanto lojistas quanto consumidores.

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O envolvimento da empresa em toda a cadeia, da escolha do novo produto à venda do antigo, passando pela forma de pagamento, não se deu por acaso. “É muito difícil cobrir toda a cadeia, incluindo a etapa de checagem da satisfação do cliente. O grande desafio agora é disseminar todo o conceito do Buscapé para o nosso público (que não conhece todas as frentes de atuação da empresa) e repetir a história em nível mundial”, completa.