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SÃO PAULO – A OGX Petróleo (OGXP3) vale atualmente na bolsa oito vezes mais do que o seu patrimônio líquido. Isso significa que as ações da companhia são negociadas a um preço menor do que elas efetivamente valeriam considerando os bens, direitos e obrigações da empresa. Ou seja, o VPA (valor patrimonial líquido dividido pelo número total de ações) da OGX é de R$ 0,02, contra a cotação de R$ 0,16 às 14h58 (horário de Brasília) desta quinta-feira (28). Apesar de estar aparentemente “superestimado”, o papel acumula no ano queda de 96,35%.
Uma situação como essa representa, na maioria das vezes, um sinal de que as expectativas de resultados futuros da companhia estão acima do que ela valeria caso fosse liquidada. Mas, no caso da OGX, isso pode ser explicado de outra maneira.
Na véspera, a petroleira, que é controlada pelo empresário Eike Batista, reportou seu resultado do terceiro trimestre ao mercado. O balanço mostra um prejuízo acumulado pela empresa de R$ 7,648 bilhões durante 2013. Isso fez com que o patrimônio líquido da empresa passasse de R$ 7,699 bilhões em dezembro de 2012 para apenas R$ 61,509 milhões em 30 de setembro de 2013. Ou seja, como o VPA é medido pelo valor patrimonial dividido pelo número de ações, a queda de 99% do patrimônio líquido no período criou um efeito “ilusório” de que as expectativas futuras para a ação parecessem favoráveis.
Entretanto, a empresa, que passa por uma turbulência desde meados do ano passado, enfrenta agora um processo de recuperação judicial. O pedido, feito em 30 de outubro pelo advogado Sergio Bermudes, teve como pano de fundo uma “situação financeira desfavorável” da empresa, dos prejuízos já acumulados e do vencimento de grande parte de seu endividamento, segundo comunicado da empresa.