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SÃO PAULO – Os fundos de ações “Sustentabilidade e Governança” são aqueles que investem somente em empresas que apresentam bons níveis de governança corporativa, ou que se destacam em responsabilidade social e sustentabilidade empresarial no longo prazo, conforme critérios estabelecidos por entidades reconhecidas no mercado ou supervisionados por conselho não vinculado à gestão do fundo, segundo definição da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).
De acordo com Herculano Alves, superintendente de renda variável do Bradesco, geralmente os bancos oferecem estas opções de investimento em separado, ou seja, fundos que investem em papéis apenas de empresas comprometidas com a governança corporativa e, à parte, outros fundos com carteiras compostas por companhias dedicadas à sustentabilidade.
Para o executivo, a atratividade destes tipos de aplicações está justamente no compromisso que as empresas que integram estes fundos assumem com a sociedade em que estão inseridas.
Critérios de gestão
Para compor a carteira, os gestores buscam escolher empresas que tenham estes princípios, mas também apresentem boas perspectivas de resultados financeiros. Como parâmetro, a gestão utiliza os índices que englobam as companhias que adotam tais práticas: o IGC (Índice de Governança Corporativa) e o ISE (Índice de Sustentabilidade Social).
“O ponto principal que analisamos aqui é o crescimento do lucro nas empresas”, enfatiza Alves. No momento, ele admite que os fundos desta categoria estão posicionados nos setores de energia elétrica, um pouco em commodities e também em empresas voltadas para a economia interna.
Por que investir?
“Tanto as empresas quanto os investidores se preocupam com estes princípios e já podemos observar um crescimento consistente destas categorias de fundos no exterior, onde os investimentos chegam a trilhões de dólares”, destaca Alves.
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Por aqui, o gestor aponta que a participação destes fundos ainda é pequena – cerca de 0,15% do patrimônio líquido da indústria doméstica segundo dados da Anbid referentes ao dia 25 de julho – mas deve crescer.
“Além disso, como estas empresas se preocupam com questões sociais e do meio ambiente, além de promoverem gestões transparentes, os investidores se dispõem a pagar preços mais caros por suas ações”, explica o executivo do Bradesco.
Por serem companhias preocupadas com a sociedade em que estão inseridas, elas têm boa imagem corporativa, o que favorece os negócios e pode se reverter em lucros. “Uma empresa dessas tem mais facilidade de captar recursos no mercado, por exemplo”, aponta Alves.
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Fundos socialmente responsáveis
Não são somente as empresas que adotam uma postura socialmente responsável, alguns fundos que investem nelas também.
O Itaú, por exemplo, repassa 50% da taxa de administração do Fundo Itaú Excelência Social para projetos sociais na área de educação. Este fundo foi lançado em 2004 e tem como benchmark o ISE. A rentabilidade bruta acumulada de entre 3/02/2004 e 31/01/2008 é de 226,49%, segundo o banco. Em julho, até o dia 25, a rentabilidade está negativa em 10,37%, de acordo com dados da Anbid.
Já a categoria “Sustentabilidade e Governança” registra rentabilidade negativa de 12,56% no mês, também segundo informações da Anbid.
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Índices
De acordo com explicação da Bovespa, as empresas do ISE praticam investimentos socialmente responsáveis, o que pode gerar valor para o acionista no longo prazo, pois tais empresas “estão mais preparadas para enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais”.
Já na carteira teórica do IGC estão todas as ações emitidas por empresas negociadas no Novo Mercado ou classificadas nos Níveis 1 e 2 da Bovespa. De 2001, quando o índice foi criado, até este ano, a taxa média anual de crescimento foi de 26%. Para o ISE, a taxa média anual desde a criação do benchmark, em 2005, foi de 25%.