Conheça e fuja dos ‘micos’ na hora de investir

"Mico" nos investimentos significa tomar uma decisão sem se certificar sobre as características da aplicação e se ela oferece a proteção e a rentabilidade que o investidor almeja, diz executiva do Investmania

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SÃO PAULO – Investir sem o conhecimento necessário para lidar com os riscos ou para escolher a aplicação adequada ao seu perfil e objetivos pode levar a consequências indesejáveis. Pensando nisso, a coordenadora do Investmania , Aline Rabelo, listou alguns “micos” que o investidor deve evitar a todo custo.

Para ela, “mico” nos investimentos significa tomar uma decisão sem se certificar sobre as características da aplicação e se ela oferece a proteção e a rentabilidade que o investidor almeja. “Muitos investidores ainda se surpreendem na hora de conferir o extrato de suas aplicações. Isso não acontece com quem realmente pesquisa e se apóia em informações fundamentadas por especialistas. Educação financeira é essencial para quem deseja aproveitar as melhores oportunidades de investimentos e ainda mitigar riscos”, ressalta.

Segundo Aline, os “micos” começam mesmo antes da primeira aplicação. “Ouvir as dicas daquele parente que sabe tudo sobre o mercado de ações, mas nunca investiu ou já perdeu todas as economias devido a uma escolha errada, ou acreditar que aquele Título de Capitalização pode ser um bom produto para rentabilizar os seus recursos no longo prazo, são subsídios que o investidor deve questionar antes de tomar qualquer decisão para ter sucesso”, explica a executiva.

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Segundo ela, manter uma carteira muito concentrada também pode resultar em problemas para o investidor “Em um cenário de incertezas e grande volatilidade, conflitos internacionais, alta da taxa de juros e da inflação, diversificar é essencial para garantir uma rentabilidade mais competitiva”, alerta.

Abaixo, ela relaciona outros comportamentos que devem ser evitados pelos investidores:

1 – Acreditar que o melhor lugar para o dinheiro é no ‘colchão’
Por mais que os investidores sintam segurança deixando o dinheiro guardado em aplicações com muita liquidez e baixíssimo rendimento, ou até mesmo na conta-corrente, este comportamento é errado e não traz nenhuma vantagem no longo prazo.

A executiva aponta que em uma economia cada vez mais complexa e globalizada, é preciso tentar proteger o dinheiro de intempéries inesperadas, como a volta da inflação ou uma crise econômica em outro continente

“Isso só é possível buscando um investimento adequado ao seu perfil e aos seus objetivos, sejam eles de curto, médio ou longo prazo”, aconselha.

2 – Achar que bolsa é ‘jogo de azar’ e ficar na poupança,  sem se preocupar
Aline ressalta que esta é uma percepção equivocada do mercado de renda variável. “Embora o Ibovespa (principal índice da bolsa paulista) não esteja vivendo momentos de glória, existem boas oportunidades na bolsa, que podem garantir uma rentabilidade superior à poupança ou fundos de renda fixa. Investir em companhias de capital aberto sólidas e boas pagadoras de dividendos tende a ser um bom negócio. Mas lembro que, para entrar na bolsa é preciso resiliência e objetivo de longo prazo”, aponta.

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3 – Investir em previdência sem pensar devidamente no longo prazo
A executiva lembra que aplicação em previdência privada pode ser uma ótima maneira de formar um fundo de reserva, desde que o objetivo seja realmente a aposentadoria. “Antes de fechar um plano, verifique quais são os custos envolvidos e a forma de tributação para não ter surpresas, principalmente no caso de ter que resgatar o recurso investido antes da tão sonhada aposentadoria”, recomenda;

4 – Achar que comprar um carro pode ser um investimento
Este é um “mico” na certa, aponta Aline. Ela lembra que a compra de um automóvel jamais deve ser vista como investimento, já que estes são bens de rápida depreciação e em poucos anos de uso o seu dinheiro pode simplesmente virar pó. “O automóvel deve ser encarado com um bem de utilidade para a sua rotina e não como uma forma de acumular riqueza”, informa.

 5 – Pensar que a compra de um imóvel sempre vai trazer ótimos lucros
Para Aline, o investidor deve acender o sinal amarelo para os imóveis. Segundo ela, dependendo do projeto do investidor ele pode se decepcionar na hora de negociá-lo, por conta da baixa liquidez ou mesmo por conta de uma desvalorização inesperada. “O mercado imobiliário também é bastante volátil e os preços podem surpreender negativamente o investidor na hora da venda”, aconselha.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip