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O mês que se inicia hoje deve continuar contemplando assuntos que despertaram a atenção dos investidores em novembro. A deterioração da situação da Argentina continua ocorrendo, mas os mercados brasileiros continuam se descolando, o que se evidencia no risco-país dos dois países. Enquanto o risco Argentina ultrapassa hoje os 3.400 pontos, o do Brasil cai e se mantém em torno dos 900 pontos básicos.
Pacote prepara Argentina para a desvalorização
O nono pacote de medidas econômicas do governo Fernando de la Rúa anunciado este final de semana pelo ministro Domingo Cavallo, congela boa parte dos depósitos bancários dos argentinos, numa medida desesperada de conter a forte fuga de recursos dos bancos argentinos ocorrida na semana passada. Entretanto, é bastante possível que estas medidas tendam a aumentar ainda mais a recessão no país, o que pode piorar ainda mais a situação. Além disso, o novo pacote prevê uma dolarização parcial da economia, o que muitos entendem como um passo que pode anteceder uma possível desvalorização do peso.
A sensação do mercado é de que por mais que o novo pacote de medidas argentino possa tentar contornar a situação, a situação continuará extremamente delicada e que cedo ou tarde a Argentina irá entrar em um default seletivo, já que os organismos internacionais como FMI e BID não estão mais dispostos a disponibilizar novos recursos ao país.
Descolamento da Argentina influenciou mercado
A recuperação dos mercados externos no mês passado ajudou a bolsa brasileira a apresentar forte recuperação de quase 14%. Além disso, o descolamento da Argentina ajudou não só a recuperação das bolsas, mas também a recuperação dos títulos de dívida externa do Brasil, a diminuição do risco-país e a queda do dólar. O bom resultado da balança comercial do Brasil e a melhora nas contas externas também contribuíram de forma importante.
Para este mês, a tendência apurada no mês anterior deve continuar. No mercado de câmbio o real pode continuar valorizando frente ao dólar, já que mesmo com a queda de mais de 7% do dólar ao longo de novembro, a balança comercial brasileira obteve um superávit bastante positivo. Isso deve continuar a melhorar o resultado das contas externas, o que diminuiu as necessidades de financiamento do país, ajudando a reduzir a percepção de risco Brasil.
Bolsa deve seguir em alta e o dólar em queda
Desta forma, o mercado brasileiro pode estender a recuperação apresentada em novembro, de forma que grande parte dos analistas de mercado já revisa suas projeções de taxa de câmbio e patamar de juros e bolsa para este final de ano. Muitos analistas acreditam que o dólar deve fechar o ano entre R$ 2,40 e R$ 2,45 e que a bolsa paulista poderia fechar o ano entre 14 e 15 mil pontos.
Juros inalterados até 2002
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Quanto aos juros, as perspectivas são mais conservadoras, pois o aumento da aceleração da inflação registrado em vários índices revela que o repasse da alta de preços em função do dólar ainda existe, o que deve levar o Banco Central do Brasil a adotar uma política mais conservadora e optar pela manutenção de juros, pelo menos até o início do ano que vem.