Publicidade
As projeções mais recentes dão conta que a população mundial passará dos atuais estimados quase 8 bilhões de pessoas para algo em torno de 10 bilhões até 2050. Isso por si só coloca o desafio da segurança alimentar como uma das preocupações principais do planeta nas próximas décadas. Para a indústria de máquinas agrícolas a resposta sobre quem vai alimentar mundo e como fazer isso passa necessariamente pelo investimento em inovação e tecnologia.
O Global Agribusiness Festival (GAFFFF), festival do setor agro que está acontecendo em São Paulo, trouxe representantes das três grandes marcas do mercado John Deere, AGCO e CNH) para discutir o que tem sido feito nesse sentido. O executivos convidados concordam que as soluções devem passar por sistema cada vez mais inteligentes e que sejam acessíveis a todos os produtores rurais, independentemente do tamanho.
Leia também: Brasil pode chegar a 3 milhões de veículos vendidos até 2030, avalia diretor da ABVE
Cristiano Correia, vice-presidente Global de Cana de Açúcar e de Sistemas de Produção para a América Latina na John Deere, lembrou dos saltos na evolução do agronegócio, que passou da milenar tração animal para a mecanização, as adoções dos químicos e bioquímicos até chegar na nova era de IA e robótica ligada à produção.
Como setor vai precisar ser cada vez mais produtivo e sustentável, Correia defende esse salto tecnológico como essencial para as tomadas de decisão mais assertivas por parte dos agricultores.
A marca possui desde 2024 um centro de pesquisa em Indaiatuba, no interior de São Paulo, um projeto que recebeu investimentos de R$ 180 milhões.
Continua depois da publicidade
Ele destacou que a John Deere tem hoje 1 milhão de máquinas e 200 milhões de hectares conectados na América Latina. E que foi lançada recentemente a JD, solução de IA da John Deere, que já se tornou um grande consultor para o cliente, que pode ter acesso a todos os dados gerados pela expansão da conectividade.
A empresa também usa sua tecnologia See & Spray, que auxilia na aplicação otimizada de produtos na lavoura.
Marcelo Traldi, vice- presidente de Fendt e Valtra e gerente geral da AGCO América Latina, disse que o setor está passando da fase da potência para a inteligência e que a introdução de tecnologia de ponta no agro auxilia na verticalização da produção.
Continua depois da publicidade
A IA na AGCO é trabalhada consegue hoje abarcar desde o preparo até a colheira e o armazenamento, gerando dados em todos o processo. A PTx, nova empresa do grupo, tem uma solução chamada OUT RUN que tem conseguido elevar em 60% a velocidade na colheita, reduzir em 15% o consumo de combustível e permitir uma operação 24 horas na janela ideal de colheita.
Ao mesmo tempo, a companhia te trabalhado na requalificação dos operadores, para estabelecer um plano de carreira num mundo cada vez mais propenso à automação.
Eduardo Kerbauy, vice-Presidente de Marketing para a América Latina na Case New Holland (CNH), disse que a pergunta sobre quem vai alimentar o mundo pode ser respondida baseada em 3 pilares: combustíveis alternativos, agricultura regenerativa e adoção de IA e inovação.
Continua depois da publicidade
No campo dos combustíveis, ele lembrou que a CNH lançou o primeiro trator agrícola movido a biometano do mundo e que tem desenvolvido o conceito das máquinas elétricas, além de tratores movidos a hidrogênio.
Sobre as plataformas de monitoramento em tempo real da empresa, ele afirmou que elas permitem um avanço até nos pós-venda das máquinas, uma vez que os concessionários passaram da fase da manutenção reativa dos equipamentos para a manutenção proativa, introduzindo alarmes.