Concorrência acirrada deve pressionar ações da B2W

Apesar de cenário positivo para o varejo, comércio eletrônico será mais competitivo, pressionando as margens da líder no segmento

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SÃO PAULO –  O ano de 2010 deve ser, de um lado, positivo para a venda de bens duráveis, mas muito competitivo para o comércio eletrônico. Os dois fatores combinados fazem analistas traçarem um cenário difícil para a B2W (BTOW3), líder do setor, que deve sofrer com a entrada de concorrentes fortes, vendo uma intensificação das margens mais apertadas, como ocorreu em 2009.

O analista da Link Investimentos, Rafael Cintra, explica que o comércio eletrônico sempre foi um pouco diferente do varejo tradicional, mostrando taxas de crescimento mais aceleradas por ser um segmento novo. 

O analista lembra ainda que o ticket médio mais elevado, com acesso a mais informações, faz as pessoas acabarem comprando mais, o que é outra vantagem do varejo eletrônico frente ao tradicional. A B2W, em especial, se beneficiou dos ganhos de sinergia da fusão entre Americanas.com e Submarino.com, no final de 2006.

Viva do lucro de grandes empresas

Com relação a 2010, a analista Juliana Campos, da Banif, adiciona ainda a recuperação das vendas de bens duráveis como ponto positivo. “Mesmo com a previsão de aumento da taxa de juros, isso deve bater mais tarde nos consumidores”, afirma a analista, que acredita em um cenário positivo para o setor de consumo.

Outro ponto ressaltado por Juliana é o potencial de ganho da ação, que caiu muito a partir da divulgação de seu resultado do terceiro trimestre do ano passado, e tem mais espaço para crescer em 2010. Entretanto, prevalecem os riscos embutidos no papel, que devem ditar o desempenho durante do ano.

Concorrência acirrada deve dar a dinâmica do setor em 2010
Apesar dos pontos positivos, o consenso é que o aumento da concorrência, já uma realidade em 2009, deve se intensificar. Com isso, a participação de mercado da B2W – hoje líder do mercado, com mais de 50% de market share – tende a diminuir, levando a margens menores e queda na rentabilidade.

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“Em 2009, o comércio eletrônico passou a ser alvo de varejistas tradicionais, de olho nesse crescimento mais acelerado, acirrando a competição no setor’, afirma Cintra. Com isso, após mostrar aumento de margens a cada trimestre desde a fusão, no terceiro período do ano passado a B2W mostrou queda na rentabilidade.

E na visão do analista, dificilmente haverá espaço para mais avanço nas margens. “A empresa precisará ser mais agressiva em promoções, o que deve pressionar a rentabilidade”, argumenta o analista da Link. A opinião é compartilhada pela analista da Banif, que acredita que os preços devem cair com a empresa tentando brigar por market share.

Players cada vez mais fortes
A combinação de Extra.com, PontoFrio.com e CasasBahia.com deve ser o principal concorrente da companhia. Para Juliana, a associação entre Casas Bahia e Pão de Açúcar ainda deve demorar mais a impactar, com a empresa tendo que se organizar a partir de agora. Ainda assim, a analista destaca que o Pão de Açúcar assume uma força enorme no setor de eletroeletrônicos.

Cintra também destaca o novo concorrente como um dos principais players do setor, e lembra ainda da entrada da Magazine Luiza no comércio eletrônico. 

Performance em linha com o mercado
“É uma ação que inspira preocupação”, resume Cintra, reiterando que o acirramento da concorrência dará o tom do setor de comércio eletrônico daqui pra frente. Com os papéis performando mal desde o resultado do terceiro trimestre, Cintra não vê nenhuma notícia no curto prazo que possa mudar esse cenário.

A recomendação da Link é que a ação da B2W deve ter um desempenho em linha com o Ibovespa. O preço-alvo da corretora, de R$ 56,00  para o final de 2010, representa um upside de 22% com relação ao fechamento do dia 6 de janeiro.

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A analista do Banif lembra que há um potencial de upside, uma vez que a ação caiu muito no ano passado. Entretanto, o risco embutido deve pesar mais. “A ação está andando de lado”, afirma Juliana, que também acredita que no curto prazo, há poucos drivers que justifiquem uma mudança nesse cenário.