Concessionárias em perigo? Noticiário aciona alerta vermelho no mercado e 3 ações desabam até 9%

"Queridinhas" do governo Temer, concessionárias afundam na Bolsa após noticiário colocar em risco a perda de importantes contratos

Paula Barra

Rodovia Presidente Dutra (Divulgação)
Rodovia Presidente Dutra (Divulgação)

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SÃO PAULO – Um noticiário negativo acendeu um alerta vermelho para três concessionárias na Bolsa hoje. A mais penalizadas delas foi a Rumo (RUMO3), que no pior momento do dia atingiu queda de 9,42%, indo a R$ 5,96. No radar das empresas – cujas notícias afetam também CCR (CCRO3) e Triunfo (TPIS3) -, o risco de perderem importantes concessões. 

Nesta sessão, as ações da Rumo fecharam em queda de 4,86%, a R$ 6,26; os papéis da CCR caíram 1,25%, a R$ 16,57; e os ativos da Triunfo encerraram estáveis, a R$ 3,75.  

“O mercado tem sido altamente otimista sobre uma agenda de infraestrutura positiva no País a ser lançado pelo governo Temer, incluindo novas concessões, renovações e alterações. A menor probabilidade de extensões contratuais ou alterações podem provocar frustrações no mercado”, disseram os analistas Sara Delfim, Murilo Frelberger e Joe Moura, do Bank of America Merrill Lynch.

Entenda o que está em jogo para cada empresa: 

– Rumo

Segundo uma reportagem do Valor Econômico, o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública pedindo à Justiça a anulação do contrato de concessão das linhas férreas no interior do Porto de Santos por indícios de fraude à lei de licitações e suspeita de formação de cartel. A ação foi distribuída à 1ª vara cível da Justiça federal em Santos. As linhas férreas, com cerca de 100 quilômetros, e as instalações concedidas integravam a extinta Rede Ferroviária Federal. Atualmente, a titular do contrato é a empresa América Latina Logística S.A (ALL ou RUMO3), que em 2006 assumiu o controle das empresas do Portofer. 

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O resultado final ainda é incerta neste momento, mas a questão traz preocupação. Além disso, não havia notícias sobre a renovação da concessão Malha Paulista, com relatórios de imprensa declarando que a renovação da concessão vai depender de determinadas condições, tais como um estudo de inventário de ativos detidos pela empresa, métricas específicas para acidentes e sistema segurança. A preocupação do mercado é que essas condições possam atrasar o processo de renovação, comentaram os analistas do BofA. 

– CCR

Para a CCR, circula no mercado a informação de que, negociada há quase uma década e muito próxima de ser oficializada, a extensão da concessão da Nova Dutra tem grandes chances de ir para a gaveta, segundo o Valor Econômico. A equipe do governo teria chegado em um entendimento que valeria esperar o fim do contrato (2021) para não comprar uma briga com o TCU (Tribunal de Contas da União). No pior momento do dia, os papéis atingiram queda de 3,10%, a R$ 16,26. 

Se o novo entendimento se confirmar, a administração da principal ligação rodoviária entre as duas maiores metrópoles brasileiras (Rio de Janeiro e São Paulo) irá novamente a leilão. Segundo o BofA, o resultado final ainda é incerto, não incluindo ainda em suas projeções uma alteração da Nova Dutra. Até ponto tempo bem pouco tempo atrás, a renovação era dada como certa. A CCR receberia mais 17 anos de contrato e, em troca, investiria algo em torno de R$ 3,5 bilhões em melhorias na estrada. 

– Triunfo

Por último, merece menção a Triunfo (TPIS3), que também reagiu ao noticiário negativo, mas com menor intensidade. Na mínima do dia, os papéis caíram 1,33%, a R$ 3,70, mas conseguiram se reperar ao longo da sessão. No radar, uma decisão judicial põe em risco a renovação da concessão da BR-040, administrada pela Concer (consórcio controlado pela Triunfo, com Construcap, CMSA e C.C.I Concessões).

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Na segunda-feira, 19, a Concer teve seus bens bloqueados judicialmente por suspeita de superfaturamento nas obras. Ela lidera a fila das empresas que aguardam a extensão antecipada de seus contratos. 

A polêmica está centrada em um termo aditivo firmado em 2012, que trata da subida da serra, na BR-040, entre as cidades de Juiz de Fora (MG) e Petrópolis (RJ). Avaliado inicialmente em R$ 280 milhões, o aditivo saltou para R$ 897 milhões. Depois de encontrar irregularidades nas obras e indícios de superfaturamento maiores do que R$ 200 milhões, a preços de 2012, o ministro Walton Alencar pediu que o pagamento pelas obras fosse suspenso.