Conceito de free float ganha cada dia mais importância no Brasil: saiba o porquê

Maioria das empresas brasileiras ainda apresenta baixo free float, mas situação está mudando rapidamente

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SÃO PAULO – A crescente percepção do mercado de que ações de empresas com melhores práticas de governança corporativa podem mostrar melhor desempenho no longo prazo tem trazido maior atenção também ao free float das empresas. Mas o que significa exatamente free float?

O free float é uma expressão em inglês que indica as ações de uma empresa que estão no mercado, ou seja, exclui os papéis que estão nas mãos de acionistas estratégicos (na maior parte das vezes os controladores) e aqueles que estão na tesouraria das empresas.

Imaginando uma empresa que tenha 1.000 ações, das quais 510 estejam nas mãos dos acionistas majoritários e 40 em tesouraria, o free float desta companhia seria de 450 ações, ou seja, 45% do total de papéis emitidos.

Pulverização maior no exterior

Em mercados mais desenvolvidos, o conceito de free float acaba tendo menor importância do que no Brasil, já que a diferença entre o total de ações e aquelas em free float costuma ser muito menor. Por exemplo, o free float da General Electric, uma das maiores companhias do mundo, é 100%, ou seja, todos os papéis da empresa estão nas mãos do mercado.

Mesmo em empresas que, embora operem dentro do conceito de corporation (sem um acionista controlador definido), têm acionistas com parcelas relevantes, a diferença entre free float e o total de ações é menor. Exemplos são a Microsoft, com free float de cerca de 95%, ou a Oracle, com 76% dos papéis nas mãos do mercado.

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Conceito ganha importância no Brasil

No Brasil, porém, o conceito ganha muita importância. O primeiro fator diz respeito à existência de ações ordinárias, com direito a voto, e papéis preferenciais. Em geral, o free float das ações ordinárias é baixo, já que os controladores possuem uma parcela significativa destes papéis. O mesmo não ocorre com as preferenciais, que são mais pulverizadas.

A estratégia adotada por muitas empresas foi lançar no mercado o maior número possível de ações preferenciais, até o limite de dois terços do total, permitido anteriormente à Lei das S.A.s. Com isso, sem que os majoritários abrissem mão do controle, a empresa poderia obter mais recursos junto ao mercado.

Porém, mesmo em empresas brasileiras que possuem apenas ações ordinárias, o free float pode ser bastante baixo. Um exemplo é o Banco do Brasil, cujo free float não chega a 10%, já que a grande maioria de suas ações ordinárias está nas mãos do Tesouro Nacional e da Previ.

Movimento de aumento no free float

No entanto, a situação pode estar mudando. Um dos critérios para que uma empresa faça parte do Nível I de Governança Corporativa da Bovespa é que ao menos 25% de suas ações estejam em poder do mercado. Pode parecer pouco na comparação internacional, mas isso certamente representa um grande progresso para o mercado brasileiro.

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Neste contexto, diversas empresas estão se mobilizando para garantir que ao menos esta parcela seja atendida, o que traz várias implicações positivas. Uma delas é certamente a melhora nas condições de liquidez, já que muitas empresas, apesar de uma grande quantidade de ações emitidas, têm poucos papéis no mercado, prejudicando a negociabilidade.