Comunicado do Fed reduz ânimo do mercado e bolsas europeias registram perdas

Fed se disse preocupado com situação da dívida na Europa e setor bancário do continente recuou forte em resposta

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SÃO PAULO – Os principais índices europeus encerraram em queda pelo terceiro pregão consecutivo nesta quinta-feira (24), impactados pelos números decepcionantes do setor imobiliário norte-americano e pela leitura do Federal Reserve quanto à saúde econômica global.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 DAX 30 -1,44 6.115 +7,86 +2,65 
 FTSE 100 -1,51 5.100 +3,23 -5,78 
 CAC 40 -2,37 3.555 +6,73 -9,68 
 SMI -0,96 6.321 +3,76 -3,44 
 FTSE MIB -2,05 19.942 +8,48 -14,22 

A menção à situação fiscal europeia no comunicado da autoridade levou desvalorização também às bolsas do PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). Em Madri, o Ibex 35 recuou 3,03%, para 9.586 pontos. Em Atenas, o ASE Index caiu 3,7%, enquanto o principal índice de Lisboa, o PSI-20, encerrou em baixa de 2,3%.

EUA voltam a preocupar
Sem surpreender o mercado, o Fomc (Comitê para o Mercado Aberto) optou pela manutenção do juro básico dos EUA no patamar entre 0% e 0,25% ao ano, o menor de sua história.

No entanto, mais importante do que a manutenção da política monetária foi o pronunciamento da instituição, ao afirmar que as condições financeiras se tornaram menos favoráveis a uma recuperação da economia, refletindo especialmente acontecimentos nos mercados externos.

Ainda no front norte-americano, esta semana foi marcada por indicadores desanimadores do mercado imobiliário. Tanto o Existing Home Sales quanto o New Home Sales exibiram números bem abaixo das expectativas, colocando em xeque a retomada do setor no país.

Bancos sofrem com comunicado
Diante deste cenário, os papéis do setor financeiro continuam a figurar entre as ações mais afetadas neste pregão. Em Paris, os bancos, bastante expostos a títulos de dívida de países do continente, encerraram em queda, com BNP Paribas (-4,99%) e Société Générale (-4,52%) ocupando a ponta negativa do índice CAC 40.

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Na Grécia, o Eurobank despencou 5,3%, em meio ao aumento de 145 pontos-base nos CDS sobre títulos de dívida do governo grego. O Banco Santander também apresentou desvalorização de 3,8% em Madri, ao passou que o Banco Comercial Português caiu 2,8%.

Em Londres, Barclays (-4,59%), Lloyds (-3,41%) e RBS (-1,44%) também encerraram em queda, no mesmo sentido de Deutsche Bank (-2,26%) e Commerzbank (-2,70%) em Frankfurt.

Commodities recuam
Além dos bancos, os ativos relacionados a commodities também seguem impactados pelos receios. Embora tenham apresentado uma leve recuperação após o anuncio de que o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, foi substituído por Julia Gillard no cargo, levando os investidores a crer que o governo pode suspender a taxação prevista para o setor, a notícia foi ofuscada pelo panorama econômico global.

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Em Londres, Kazakhmys registrou perdas de 5,05%, acompanhada por Eurasian Natural Resources (-4,35%), Lonmin (-3,42%), Xstrata (-3,21%) e Rio Tinto (-3,19%).

Destaques corporativos
Em Frankfurt, a Adidas foi destaque de queda, com desvalorização de 3,95% após a Kepler Capital Markets ter rebaixado a recomendação para os ativos de “manter” para “reduzir”. A Nike, rival da empresa, reportou resultados para o quarto trimestre na última sessão.

Em um pregão quase sem destaques positivos, se sobressaem as ações da Tesco, que encerraram em alta de 0,88%. A notícia que anima investidores e impulsiona as ações é o fato de que a empresa de Warren Buffett, a Berkshire Hathaway, comprou cerca de 2 milhões de papéis da companhia na terça-feira, e a participação do grupo na empresa alcançou 3%.