“Compre agora” ou “estratégia perdedora”? Rali das siderúrgicas divide analistas

Analistas ainda não acreditam em uma recuperação das siderúrgicas, mas os esforços de melhorar o caixa e reduzir dívidas vendendo ativos pode se tornar uma boa oportunidade de curto prazo

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SÃO PAULO – O investidor que vê as ações da CSN (CSNA3) disparando mais de 30% em apenas 5 pregões pode até pensar que o cenário no setor está melhorando e que o mercado está se antecipando a uma recuperação – os papéis destas companhias figuravam entre as piores do Ibovespa em 2015 até semanas atrás. Porém, uma análise mais profunda mostra que a situação é bem diferente. E é exatamente estes momentos tão antagônicos – de alta no curto prazo e pessimismo no longo prazo – que o Morgan Stanley destacou em relatório divulgado recentemente aos clientes.

Para os analistas Carlos De Alba e Lulica Rocha, a recomendação para as ações da CSN ainda é “underweight” (performance abaixo da média do mercado), mas os esforços da companhia em melhorar o seu caixa e reduzir sua dívida está criando um “momento de compra” dos papéis. Segundo eles, o fraco mercado interno de aço e os baixos preços do minério de ferro representam desafios para a empresa.

O caso da CSN parece um dos mais desafiadores do setor. A companhia já disparou 35% em cinco pregões – o dobro dos seus pares -, praticamente zerando suas perdas do ano. Porém, a tranquilidade pode ser apenas momentânea. Segundo os analistas do Morgan, o encargo da dívida reduziu o patrimônio líquido da empresa. Além disso, eles acreditam que há uma janela de 12 a 18 meses para a companhia fortalecer seu balanço.

Viva do lucro de grandes empresas

Porém, do lado positivo, a expectativa é que a CSN possa levantar até R$ 6,9 bilhões em vendas de ativos não-essenciais, podendo assim “ganhar tempo” até que as condições do mercado melhorem. Segundo eles, são 4 os principais ativos que a empresa pode se desfazer: i) participação na empresa de logística MRS, ii) participações em hidrelétricas. iii) o porto de Tecon, e iv) participação na Usiminas.

Os analistas destacam ainda que no fim do segundo trimestre, a siderúrgica tinha cerca de 47% dos R$ 31 bilhões de dívida em dólar, o que pode pressionar a empresa com a disparada da moeda. Por outro lado, esta pressão é amenizada com a renegociação de duas linhas de crédito no montante de R$ 4,8 bilhões com a Caixa Econômica Federal e com o Banco do Brasil, empurrando os vencimentos para 2016-17 a 2018-22.

No geral, a dúvida persiste enquanto a CSN não tornar realidade o alívio em seu caixa e a redução de suas dívidas. Mas alternativas não faltam, e num momento em que a companhia ressalta suas intenções de melhorar sua situação financeira, os investidores podem encontrar oportunidades de algum lucro com os papéis.

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Voltando ao setor…
Essa dúvida sobre o momento das siderúrgicas também foi destaque em um relatório do JPMorgan. O banco disse que ouviu muitos clientes da área do “buy side” e começou a perceber um interesse por parte destes grandes investidores em “revisitar o case” do setor de commodities – o que incluiria também a Vale
 (VALE3; VALE5)

Segundo o relatório, a Vale finalmente deixou de ser uma unanimidade negativa. Do lado positivo, prevalece a alta do dólar e a proximidade do início do projeto S11D. Contudo, a preocupação com os níveis de preços do minério de ferro ainda são um entrave para um viés mais otimista – a commodity caiu mais de 50% nos últimos 15 meses e atualmente opera cotada próxima dos US$ 40.

… ou “estratégia perdedora”?
Do lado pessimista estão os analistas do BTG Pactual, Leonardo Correa e Caio Ribeiro, que afirmam que o recente rali é apenas um movimento de cobertura dos “vendidos”. E dizem mais: embora reconheçam que a relação “risco x retorno” tem atraído investidores e puxado para cima o preço das ações, eles acreditam que investir em siderúrgicas ainda é uma “estratégia perdedora”.

O terceiro trimestre pode trazer algumas surpresas desagradáveis e nós acreditamos que as condições continuam altamente desafiadoras em um cenário de nenhuma demanda. Por enquanto, recomendamos aos investidores que continuem cautelosos enquanto nós não vemos nenhuma inflexão à vista”, disseram em relatório.

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Thiago Salomão

Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers