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SÃO PAULO – Enquanto as carnes suínas e de frango são mais baratas nos supermercados, é mais vantajoso comprar carne bovina nos açougues. Nos últimos cinco anos, o quilo do filé mignon custou, em média, R$ 4,28 a menos nos açougues do que nos supermercados.
Segundo o estudo realizado em parceria entre a Informa Economics FNP e a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), no mesmo período foi possível observar que o preços de cortes como costela e frango inteiro variaram entre 42,47% e 67,05% nos açougues e nos supermercados os preços variaram entre 39% e 91%. Inclusive, a carcaça da ave chegou a superar a alta acumulada do lagarto no período, chegando a 91,18%.
Açougue x supermercados
De acordo com o levantamento, a renda dos consumidores é um dos fatores que diferencia os preços das carnes em açougues e supermercados. O aumento da renda tende a se traduzir no consumo de cortes mais nobres em detrimento das carnes de segunda como o músculo, sobretudo nos açougues, culminando no aumento dos valores do filé mignon e da picanha em ambos os estabelecimentos.
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Enquanto nos açougues o aumento dos preços dos cortes nobres em decorrência da elevação da renda do consumidor tende a ser imediato, nos supermercados, os valores tendem a aumentar somente no mês seguinte à elevação da renda, com a alta persistindo nos dois meses seguintes. O fenômeno é o principal indício de que os supermercados podem cruzar as flutuações no consumo de alguns itens com a variação da renda dos consumidores, diferentemente dos açougues, cujos preços ficam atrelados à demanda por um certo tipo de carne em um dado momento.
Períodos e altas
De uma forma geral, o maior pico nos preços das carnes foi percebido em novembro do ano passado, tanto nos açougues, quanto nos supermercados. Segundo o estudo, o preço da arroba do boi gordo, que chegou a R$ 115 em São Paulo na primeira semana de novembro, foi o fator que mais contribuiu para a alta.
De acordo com o estudo, no período analisado, todos os cortes subiram acima da inflação medida pelo índice IPC-Fipe. No caso dos açougues, a maior alta mensal coube ao filé mignon, cujos preços subiram 27,85%. Já nos supermercados, as elevações nos valores da carne bovina foram melhor distribuídas no período analisado, um indício da maior autonomia desses estabelecimentos na determinação dos preços ao consumidor.