Comprar ação na Grécia é melhor que no Brasil? 3º trimestre prova que sim

Último trimestre reforça a tese de que uma economia em expansão não é garantia de prosperidade no mercado acionário
Stock Chart
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SÃO PAULO – Se analisarmos o terceiro trimestre de 2012, veremos que há uma divergência na performance dos mercados acionários com o desempenho da economia de seus respectivos países. A lógica encontraria uma correlação diferente da que foi observada, pautando a valorização das ações de determinado país pelo crescimento econômico que ele apresenta.

O último trimestre, no entanto, foi muito marcante para reforçar que esse tipo de análise é bastante leviana – e também falha. “Tivemos economias muito fragilizadas no mundo todo e um apetite por risco generalizado ao mesmo tempo”, explica Daniel Cunha, da equipe de análise da XP Investimentos.

A relação entre bolsas e economia é muito mais complexa do que pode parecer à primeira vista. Cunha analisa que se uma empresa investe no mercado externo, a economia de seu país não vai afetá-la tanto, enquanto uma companhia voltado ao mercado interno, acompanha com menor distância os problemas econômicos. “As bolsas são compostas por diversos tipos de ações de muitas empresas diferentes, com investimentos e projeções diferentes, por isso não seguem exatamente o crescimento ou o declínio da economia”, explica.

Em meio a crise…
Para o membro da equipe de análise da XPI, o desempenho dos índices acionários segue principalmente o sentimento do investidor. “Sinalizações, posturas, políticas para combater a crise interferem muito mais nas bolsas. A economia propriamente dita passa a ter menor relevância se há maior ativismo dos governos. Estamos presenciando isso. Por mais que muitos países estejam fragilizados economicamente, as medidas anunciadas para combater a crise tem maior impacto no apetite por risco dos investidores”, analisa Cunha.

Relação Entre Bolsas e Indicadores Econômicos de Cada País
País Índice de Ações Desempenho
PIB 2º tri Endividamento
(por % do PIB) 
Grécia Greece Athex 22%  -4,7%  161,2
Alemanha DAX 30 12% +0,6% 54,1
Portugal  Portugal General 10% -3,3%  110,9
Brasil Ibovespa 9% +3,0% 36,0
Espanha Ibex 35 9% -1,8% 67,0
China Hang Seng 8% +8,2% –
Itália FTSE MIB 6% +1,9% 102,2
França CAC 40 5% +0,5% 83,2
Irlanda Irish Overall 5% +0,5% 102,9
EUA S&P 500  5% +2,1%   83,7
Dow Jones  4%
Reino Unido FTSE 100 3% +0,8% 84,2
Japão Nikkei -1% +2,0%  135,2

Fonte: Infomoney, Deutsche Bank e Bloomberg

Apesar da crise na Grécia, com medidas de austeridade revoltando a população, o índice Greece Athex registrou valorização de 22% no terceiro trimestre deste ano. Outros exemplos de divergência são os dados de Portugal e da Espanha, que também enfrentam problemas econômicos fortes e cujas bolsas cresceram 10% e 9%, respectivamente.

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Por outro lado temos o Ibovespa com avanço de 9% no trimestre, enquanto a economia brasileira não dá sinais de entrar em colapso pela crise que se alastra pelo mundo. Apesar da expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro estar baixo (1,57%), a economia nacional não encontra grandes percalços em seu crescimento, apesar dos fracos indicadores mundiais.

“Os Bancos Centrais ao redor do mundo têm criado medidas de austeridade e juntos já injetaram cerca de US$ 8 trilhões para acabar com a recessão atual. E ainda assim vemos países com grandes dívidas enquanto seus índices acionários tiveram bons rendimentos no trimestre”, comenta Cunha, fazendo menção aos planos de incentivo lançados nos EUA (Quantitative Easing 3), Europa (compra ilimitada de títulos), Japão (afrouxamento monetário) e China (injeção monetária).

A relação entre economia e desempenho de índices acionários não é direta, mas também não pode ser considerada nula. “A expectativa de retorno em ações de um país que não está em crise acaba sendo maior, mas o mercado de ações trabalha essencialmente com sentimento, o que torna a relação entre economia e desempenho volátil”, finaliza Daniel Cunha.