Compra de dívida pelo BCE e agenda dos EUA sustentam otimismo no mercado

Ibovespa sobe mais de 1,5%, movimento mais fraco que das bolsas estrangeiras; Copom deu sinais de que cortes de juros pode ter chego ao fim

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SÃO PAULO – Refletindo positivamente o noticiário europeu, o Ibovespa opera em alta desde a abertura, e alcança ganhos de 1,51% por volta das 12h40 (horário de Brasília), aos 57.723 pontos. O movimento vem em linha com o discurso de Mario Draghi, presidente do BCE (Banco Central Europeu), que  anunciou um plano para compra ilimitada de títulos públicos com vencimento entre um e três anos.

Contudo, a trajetória do benchmark da bolsa brasileira mostra-se mais amena que das bolsas internacionais, principalmente se for comparar com a Europa, onde índices acionários de Milão e Madri caminhando para fechar com alta de mais de 4%.

O programa, segundo Draghi, virá com estritas condicionalidades, como a exigência por reformas econômicas. Ele comentou ainda que o BCE não vai atuar no mercado de dívida, sem o pedido formal do país. O BCE surpreendeu o mercado, quando anunciou a manutenção da taxa básica de juros da zona do euro em 0,75% ao ano – esperava-se um corte de pelo menos 0,25 ponto percentual. Já o BoE (Bank of England) manteve a taxa de juro inglesa em 0,50%. 

Agenda da sessão
Na agenda norte-americana, os números do mercado de trabalho foram a grande referência. A consultoria ADP informou que foram criados 201 mil novos empregos no setor privado, superando a expectativa de que fossem criados 143 mil postos, enquanto o número de pedidos de auxílio-desemprego veio melhor que o previsto. Já o ISM Services, que mede o setor de serviços, ficou em 53,7 pontos na passagem de julho para agosto, melhor do que as projeções de analistas, que estavam em torno de 52 pontos.

Por aqui, o destaque ficou com a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que voltou a sinalizar o fim do ciclo de cortes na Selic. Já o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) recuou para 1,29% em agosto, conforme a FGV (Fundação Getulio Vargas). A variação apurada no mês foi inferior à de julho, de 1,52%. 

Destaques corporativos
As ações da CPFL Energia (CPFE3) lideram os ganhos da sessão, com alta de 4,02% – atingindo os R$ 23,01. Por sua vez, os papéis da MRV Engenharia (MRVE3) disparam 3,70%, aos R$ 11,50, após a empresa conseguir liminar na justiça e sair do cadastro de trabalho escravo. As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

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Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CPFE3 CPFL ENERGIA ON 23,01 +4,02 -6,31 14,46M
 MRVE3 MRV ON 11,50 +3,70 +11,76 23,53M
 BRKM5 BRASKEM PNA 14,17 +3,43 +15,64 22,87M
 FIBR3 FIBRIA ON 15,72 +2,81 +13,34 12,12M
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 13,18 +2,57 +55,06 39,54M

Mesmo em um dia majoritariamente positivo, algumas ações mostram desempenho ruim. Os papéis da ALL (ALLL3) recuam 2,11% e atingem os R$ 8,83. O destaque, porém, fica com os papéis ordinários da Usiminas (USIM3), que operam em queda de 1,59% aos R$ 10,50 – depois de chegar a subir 7,69% durante a manhã, impulsionados pela recomendação de compra do Deutsche Bank. As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 8,83 -2,11 -4,10 10,23M
 TRPL4 TRAN PAULIST PN 44,33 -1,71 -19,25 6,65M
 USIM3 USIMINAS ON 10,50 -1,59 -38,52 12,98M
 JBSS3 JBS ON 5,73 -1,21 -5,76 7,06M
 BRFS3 BRF FOODS ON 32,64 -1,00 -10,04 26,37M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)