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O mercado farmacêutico brasileiro passou por uma movimentação estrutural com a confirmação de que a EMS chegou a um acordo para comprar a Medley, até então de propriedade da Sanofi. A aquisição foi anunciada na última sexta-feira (6).
Em relatório publicado pelo JPMorgan nesta segunda (9), eles destacam que a transação ocorreu a uma avaliação de headline valuation de mais de US$ 660 milhões. “A notícia destacou que a transação ocorreu a 18x Valor de empresa/EBITDA (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização)”, observa o banco. O fechamento é esperado para meados de 2026.
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Viva do lucro de grandes empresas
Para os analistas, o desfecho entre as competidoras pela Medley “demonstra disciplina de capital, já que os investidores estavam preocupados que a Hypera pagasse caro demais pelo ativo”. O fato de a Hypera (HYPE3), segunda companhia com maior fatia do mercado de genéricos, não ter vencido a licitação competitiva preserva o caixa da empresa para outras prioridades estratégicas.
Sobre as ações da Hypera, os analistas reiteraram a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 33,00, classificando a notícia como uma “leitura líquida positiva” (net positive) para a companhia. Às 14h55, os papéis da companhia caem 1,50%, a R$ 21,67.
Um ponto de atenção mencionado pelos analistas envolve Carlos Sanchez, fundador da EMS, que possui cerca de 6% das ações da própria Hypera. “Isso levanta a questão de se essa participação poderia ser vendida para financiar a aquisição que ocorreu por meio da EMS”, sinaliza o relatório.
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Entretanto, o banco também pondera que o risco de venda imediata é mitigado pelo valor de mercado atual. “Sinalizamos que o preço da HYPE3 está provavelmente abaixo do preço médio de aquisição de Sanchez”, o que desencorajaria uma saída sob prejuízo neste momento.
Do ponto de vista de lucro líquido e múltiplos, a Hypera segue atraente, sendo negociada em 8 vezes o Preço sobre Lucro (P/L) para a expectativa de 2026, o que justifica a recomendação de compra por parte do JPMorgan. Nesse contexto, os analistas avaliam que o setor pode voltar a atrair investidores estrangeiros, especialmente diante da reconfiguração competitiva após a operação.
Dinâmica de mercado
Segundo o documento do JPMorgan, a combinação EMS+Medley criará um gigante com cerca de 30% de participação de mercado em genéricos. “Apesar de não ser um ‘divisor de águas’ para a indústria, a operação solidifica a liderança da EMS em um mercado de genéricos altamente competitivo”, avalia o banco.
Os analistas ainda reforçam que a transação não traz um novo competidor ao mercado, o que é visto como um fator de estabilidade para as operações da Hypera no curto e médio prazo.
O banco acredita que a nova configuração pode “impulsionar um ambiente competitivo mais bem-comportado”. Com a EMS detendo o triplo da fatia do segundo colocado (a própria Hypera, com 10%), a tendência é de maior racionalidade em preços e margens operacionais.
Apesar disso, para a Hypera, a manutenção da segunda posição no ranking de genéricos é vista como confortável. “Temos a visão de que um player com alta participação de mercado deve ajudar a impulsionar um melhor comportamento competitivo”, reforça o relatório sobre a liderança da EMS.
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A disciplina de capital da Hypera, ao não entrar em uma guerra de preços pelo ativo, foi o ponto mais elogiado. O banco conclui que a empresa está bem posicionada para capturar o crescimento do setor sem comprometer sua saúde financeira com aquisições de múltiplos elevados.