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SÃO PAULO – O comportamento do Ibovespa nos últimos dias é no mínimo curioso. As duas primeiras sessões desta semana foram marcadas pela resistência da bolsa brasileira. Wall Street mostrava fôlego, evidenciava uma mudança de percepção em relação à temporada de resultados corporativos, para melhor. O Ibovespa ignorou e caiu na segunda e terça-feira. A redenção veio na quarta.
A disparada das ações neste último pregão mudou um pouco as coisas. Aquele desconforto dos dias atrás ficou de lado; com os ganhos, o mercado resgatou da memória uma velha dúvida, ainda não respondida: será que ainda há força para retomar aquele rali do segundo trimestre, ou o próprio rali limitou movimentos mais significativos às ações?
As fases do touro
De inúmeras análises, o saldo ainda é dividido. Pudera. Existe uma série de variáveis que afetam a questão e são interpretadas de diferentes maneiras por cada um. Indicadores, fluxo de estrangeiros, resultados corporativos, juros, preços das commodities…
Falando um pouco do sentimento dos investidores, chama atenção uma frase de John Templeton, lembrada por Rusty Vanneman, da Kobren Insight Management, ao portal Morningstar: “os bull markets nascem no pessimismo, crescem no ceticismo, atingem a maturidade no otimismo e morrem na euforia”.
O repique da bolsa no segundo trimestre chegou a levantar comentários de que o mercado atingiu fase de euforia. Olhando para trás, euforia parece mais com o período antes da metade de 2008, quando o Brasil acabara de ser elevado a investment grade pelas agências S&P e Fitch e a bolsa vinha de cinco anos consecutivos de alta, combinação que resultou no recorde de 73.153 pontos do Ibovespa.
Sinais
Sem desrespeitar a interpretação a cada um, o próprio Rusty Vanneman cita alguns fatores de que os mercados ainda têm o que subir. Dentre eles, destaque para indicadores de liquidez que sugerem mais fluxo em direção à renda variável.
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Vanneman citou a TED Spread – diferença de retorno entre a taxa interbancária Libor de três meses em dólares e os títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) com vencimento em três meses. Depois de atingir sua máxima histórica de 450 pontos-base no ano passado, o indicador voltou a seus padrões de normalidade.
“Isto sugere que as condições de liquidez melhoraram o suficiente para dissolver os temores em relação aos riscos de crédito; na sequência, pode continuar a restaurar a demanda por ativos de risco”, afirmou o estrategista.
A pesquisa do Bank of America Merrill Lynch junto a gestores de grandes fundos, realizada em julho e divulgada nesta quarta-feira (15), contribui com a discussão. Apesar da frágil confiança nos mercados globais, os investidores acreditam que o pior acabou para a economia, a despeito do posicionamento se concentrar em setores defensivos. A pesquisa também mostrou aumento no percentual de gestores que esperam aumento nos lucros corporativos nos próximos 12 meses.
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Ceticismo
Entre estas e outras, a impressão da Vanneman é que “de fato, os investidores continuam um tanto quanto cautelosos e defensivos”. Mas voltando à questão-chave: ainda há força para retomar aquele rali?
A dúvida parece persistir, o que indica boa dose de cetismo circulando no mercado. A julgar pela citação de John Templeton, pode ser bom sinal para as ações.